O governo do estado, sob o comando do governador Pivetta, atropelou os princípios básicos da transparência e da ampla concorrência ao publicar na MTI (Empresa de Tecnologia da Informação do Estado) um edital de contratação imediata repleto de indícios de direcionamento. Divulgado em uma edição extra do Diário Oficial que circulou apenas hoje (15), o processo seletivo previa inicialmente um prazo vergonhoso de 16 horas para inscrição, corrigido às pressas para até as 23:59 de amanhã (16) — um intervalo ainda considerado "vapt-vupt" diante da complexidade da área tecnológica. A pressa injustificada ganha contornos de escândalo na estatal ao prever a contratação imediata de 54 servidores já para o próximo dia 3 de julho, apenas 17 dias após a abertura do certame, levantando a forte suspeita de que a manobra sirva apenas para carimbar e regularizar a situação de apadrinhados que já ocupam as cadeiras da empresa.
Além do cronograma asfixiante, o edital da MTI instituiu critérios de experiência profissional em TI extremamente restritivos e específicos, desenhados cirurgicamente de forma a blindar a seleção contra candidatos de fora do círculo de poder. Diante de tamanha afronta à moralidade administrativa em um setor estratégico do Estado, o silêncio sepulcral de órgãos de fiscalização e controle como o Ministério Público (MP), o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o Tribunal de Justiça (TJ) e a Assembleia Legislativa (AL) causa profunda estranheza e revolta. A omissão das instituições abre caminho para que o governo Pivetta consolide o que especialistas já apontam como um verdadeiro jogo de cartas marcadas com o dinheiro público, operado sob as barbas do poder fiscalizador.
