O governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), endurece o discurso quando o assunto é aumentar despesas com o funcionalismo, mas não demonstra a mesma disposição para cortar os incentivos fiscais concedidos pelo Estado a empresas, grande parte delas ligadas ao agronegócio.
Entre 2019 e 2025, Mato Grosso acumulou R$ 65,5 bilhões em renúncias fiscais. Somente em 2025, os benefícios tributários chegaram a R$ 15,6 bilhões, segundo dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). Em 2019, eram R$ 3,42 bilhões. Em seis anos, o volume cresceu 356%.
Ou seja: enquanto Pivetta argumenta que uma RGA de R$ 4 bilhões comprometeria os investimentos do Estado, seu plano de governo não prevê desmontar a política de incentivos. Ao contrário, promete manter e aperfeiçoar programas como Prodeic, Proder e Proalmat.
A comparação não significa que gasto com pessoal e renúncia tributária sejam despesas de mesma natureza. Mas o contraste político é inevitável. De um lado, o governador afirma que não há espaço para assumir compromissos bilionários com os servidores. De outro, preserva uma política que, apenas em 2025, representou R$ 15,6 bilhões em benefícios tributários concedidos ao setor empresarial — quase quatro vezes os R$ 4 bilhões citados por ele ao rejeitar a promessa de RGA.
No plano apresentado para um eventual novo mandato, Pivetta não fala em encerrar os incentivos. A proposta é manter programas voltados à indústria, agronegócio, biocombustíveis, mineração, reciclagem e outras atividades, condicionando os benefícios à geração de empregos, investimentos e processamento de produtos dentro de Mato Grosso.
O argumento do governador é de que esses incentivos ajudam na industrialização e na geração de valor dentro do Estado. O que permanece sem resposta clara é até onde Mato Grosso pode continuar abrindo mão de receitas dessa magnitude e quais empresas concentram a maior parte dos benefícios.
A conta já é pesada: R$ 65,5 bilhões em renúncias fiscais entre 2019 e 2025. E, pelo plano de Pivetta, os incentivos continuarão fazendo parte da política econômica estadual.
Enquanto o servidor ouve que é preciso saber “de onde vai tirar o dinheiro”, o debate sobre quanto o Estado deixa de arrecadar para beneficiar empresas ainda recebe bem menos resistência do Palácio Paiaguás. (Com informações do Jornal a Gazeta).