O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) voltou a mirar o funcionalismo público ao criticar salários que chegam a cerca de R$ 40 mil e defender que servidores que desejam ganhar mais busquem o empreendedorismo na iniciativa privada. O discurso, porém, coloca no centro do debate uma faixa salarial que representa uma parcela do funcionalismo e não pode ser tratada como regra para todo o serviço público.
Pivetta afirmou que reconhece a importância dos servidores, mas defendeu uma “repactuação” na política salarial do Estado. Segundo ele, há uma diferença considerada excessiva entre quem recebe os menores salários e quem está no topo da remuneração.
“O nosso servidor público é de altíssimo valor, mas o salário médio dos nossos servidores públicos é de R$ 12 mil. Tem gente que ganha R$ 40 mil e tem gente que ganha R$ 4 mil”, declarou.
Ao usar os salários de aproximadamente R$ 40 mil como exemplo, o governador endureceu o discurso contra os maiores vencimentos do serviço público. A ressalva é que esses valores elevados não representam a realidade de toda a categoria, formada também por servidores que recebem remunerações muito inferiores.
Pivetta defendeu ainda que quem já está nas faixas salariais mais altas e pretende aumentar a renda procure outras alternativas fora do serviço público, como o empreendedorismo. A fala provocativa reforça a linha de que o Estado não deve ampliar indiscriminadamente despesas com os maiores salários.
O governador afirmou que pretende discutir uma reorganização da política salarial ao lado de sua candidata a vice, Gisela Simona (União), que é servidora pública há 25 anos.
“Eu vou sentar com a Gisela Simona, minha vice, que é servidora de 25 anos, nós vamos sentar e vamos ter que fazer uma repactuação. Quem ganha R$ 4 mil tem que ganhar mais”, afirmou.
Ao mesmo tempo em que critica quem recebe R$ 40 mil, Pivetta sinaliza que pretende priorizar as menores remunerações. O ponto de tensão está justamente na generalização: os chamados supersalários existem dentro da estrutura pública, mas são uma exceção e não podem servir como retrato de todo o funcionalismo.