Nos bastidores políticos de Mato Grosso, um novo e incômodo apelido começou a circular nos gabinetes para definir a postura do atual governador, Otaviano Pivetta: “água de salsicha”. A expressão, compartilhada por uma importante liderança do estado, ilustra a visão de seus adversários de que a atual liderança se mostra sem graça, sem brilho e completamente sem rumo. A analogia é direta e ácida: assim como a água utilizada no cozimento do embutido, a gestão atual é vista pela oposição como algo que não tem gosto, substância e nem utilidade real para a população.
O grande calcanhar de Aquiles dessa transição é a percepção de que o governo de Pivetta carece de uma marca própria. Enquanto o ex-governador Mauro Mendes deixou o cargo em abril de 2026 para focar em sua pré-candidatura ao Senado, a sensação nos bastidores é de que ele se recusa a largar o bastão. Críticos apontam que Mendes tenta continuar mandando na engrenagem do Palácio Paiaguás mesmo estando fora da cadeira, criando uma dualidade de poder que anula a autonomia de Pivetta e enfraquece o ritmo da máquina pública.
Para piorar o cenário político do grupo governista, a herança de infraestrutura deixada pela gestão anterior começou a ser duramente questionada. O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Sérgio Ricardo, vem trazendo a público relatórios e fiscalizações que apontam a péssima qualidade de várias obras entregues ou iniciadas por Mauro Mendes. Esse bombardeio técnico do órgão de controle expõe falhas graves de planejamento e execução, desidratando o principal discurso de eficiência que o antigo mandatário usava como vitrine.
Como se não bastasse o desgaste das obras, os recentes escândalos financeiros de repercussão nacional surgem como combustíveis pesados para a rejeição popular. As graves denúncias envolvendo o acordo de R$ 308 milhões com a operadora Oi e as polêmicas movimentações com o Banco Master — suspeitas de triangulação de fundos que, segundo acusações em CPI, teriam beneficiado empresas de sócios e familiares do ex-governador — jogam uma sombra de corrupção sobre o grupo. O resultado desse arranjo político desastroso e desse mar de escândalos corporativos pode ser cobrado diretamente nas urnas, criando o cenário perfeito para uma crise de liderança; se Pivetta não se libertar e se o grupo não estancar as denúncias de infraestrutura falha e desvios, a insistência de Mendes em governar por procuração e a falta de rumo do atual gestor podem empurrar inevitavelmente esses dois aliados de frente para uma retumbante derrota eleitoral.
Apelidado de “água de salsicha” pela oposição, Pivetta patina e sombra de Mauro Mendes ameaça eleições em MT
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