A disputa pela Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá ganhou um novo capítulo nos bastidores da política municipal. O prefeito Abilio Brunini (PL) decidiu exonerar indicados ligados ao vereador Ilde Taques (Podemos), que é pré-candidato à presidência do Legislativo e tem sido apontado pelo próprio prefeito como integrante de um movimento “anti-Abilio” dentro da Casa.
A decisão ocorre em meio ao aumento da tensão entre o Palácio Alencastro e parte dos vereadores, principalmente após Ilde convocar o ex-secretário municipal de Educação Amauri Monge para prestar esclarecimentos sobre as acusações feitas pelo prefeito envolvendo contratos da pasta.
Amauri foi chamado à Câmara depois de Abilio afirmar ter encontrado indícios de irregularidades na Secretaria de Educação, incluindo suspeitas de um suposto rombo de R$ 80 milhões em contratos da área. Durante a ida ao Legislativo, no entanto, o ex-secretário rebateu as acusações e subiu o tom contra a atual gestão.
Na Câmara, Amauri negou irregularidades e acusou Abilio de criar uma “cortina de fumaça” para desviar o foco de problemas que, segundo ele, estariam ocorrendo na administração municipal. O ex-secretário também afirmou que a gestão teria cometido “pedaladas” na Educação e falou em um possível colapso na pasta.
A convocação de Amauri foi interpretada nos bastidores como um gesto político de enfrentamento ao prefeito. A partir disso, a relação entre Abilio e Ilde, que já vinha desgastada pela disputa da Mesa Diretora, ficou ainda mais tensa.
Abilio já declarou publicamente que não deseja a vitória de Ilde na eleição interna da Câmara. O prefeito defende a reeleição da atual presidente, Paula Calil (PL), e tem dito que há uma articulação para construir um projeto de oposição à sua gestão dentro do Legislativo.
Com as exonerações, a crise deixa de ficar restrita ao discurso político e passa a atingir diretamente os espaços ocupados por aliados na Prefeitura. A movimentação também expõe o peso da eleição da Mesa Diretora na relação entre Executivo e Legislativo.
A disputa pela presidência da Câmara tem colocado de um lado vereadores alinhados ao projeto de Paula Calil e, de outro, parlamentares que defendem uma condução mais independente da Casa. Ilde Taques aparece entre os nomes que tentam viabilizar uma candidatura para comandar o Legislativo no próximo biênio.
Nos bastidores, a avaliação é que a convocação de Amauri e as acusações feitas contra a gestão municipal aceleraram o rompimento político entre Abilio e o grupo de Ilde. A crise também deve aumentar a pressão sobre vereadores que ainda tentam se posicionar na disputa pela Mesa.
Enquanto isso, a Educação segue no centro do embate. De um lado, Abilio aponta suspeitas de irregularidades em contratos da pasta. Do outro, Amauri nega as acusações e acusa o prefeito de tentar esconder problemas da atual administração.