O prefeito Abilio Brunini (PL) voltou às redes sociais na noite desta segunda-feira (6) para criticar o comportamento de motoristas em Cuiabá e atribuir parte do caos no trânsito à falta de educação de quem dirige pela Capital. O discurso, no entanto, contrasta com os números milionários da própria gestão.
Enquanto o prefeito grava vídeos para apontar o dedo aos condutores, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana já arrecadou R$ 38.717.356,96 em multas de trânsito apenas nos cinco primeiros meses do ano. O valor chama atenção porque uma das principais promessas de campanha de Abilio era acabar com os chamados “caça-níqueis” espalhados pela cidade.
Na prática, após um ano e cinco meses de gestão, a chamada indústria da multa não apenas continuou funcionando, como segue em ritmo acelerado. Somente em abril, a Semob arrecadou R$ 11.062.539,03. Em maio, foram mais R$ 8.898.231,47 retirados do bolso dos motoristas cuiabanos.
Os dados expõem uma contradição da gestão. O prefeito culpa motoristas pela desordem no trânsito, mas sua administração não apresenta, na mesma proporção da arrecadação, ações efetivas de educação, orientação e presença preventiva de agentes nas ruas.
A arrecadação mensal mostra que a Semob recebeu R$ 6.583.365,61 em janeiro, R$ 5.828.661,41 em fevereiro, R$ 6.344.559,44 em março, R$ 11.062.539,03 em abril e R$ 8.898.231,47 em maio. Ao todo, quase R$ 39 milhões em apenas cinco meses.
O valor é ainda mais expressivo quando comparado ao ano passado, quando a arrecadação com multas de trânsito chegou a R$ 75.859.672,83. Se o ritmo atual continuar, a gestão Abilio pode encerrar o ano com uma cobrança ainda maior sobre os motoristas.
A crítica que fica é direta: não basta culpar a população pela bagunça no trânsito enquanto a Semob bate números milionários em multas. Se há tanto dinheiro entrando, por que faltam agentes para orientar, educar e organizar o fluxo nas ruas?
Para quem acreditou na promessa de fim dos “caça-níqueis”, o resultado até agora é outro: mais arrecadação, mais multas e um trânsito que continua caótico. A diferença é que, agora, a culpa parece ter sido jogada no colo dos motoristas.