O prefeito Abílio Brunini resolveu posar de guru da ética ao dizer que o influencer Fiote deve agir com “integridade” e “respeito”. É quase poético — se não fosse trágico. Afinal, estamos falando do mesmo Abílio que já invadiu plenários e secretarias com o celular em punho para constranger servidores e secretários, que entrou na casa do então prefeito Emanuel Pinheiro para provocar tumulto, que debochou de adversários no Congresso Nacional, chamou deputada de “amante” e filmou colegas às escondidas em comissões. Um histórico digno de personagem de reality show, não de mestre zen da diplomacia política.
Agora, embalado no seu personagem calculado de prefeito “equilibrado”, Abílio quer dar sermão sobre comportamento e civilidade — como se calmante de rinoceronte fosse sinônimo de evolução moral. Mas nem Freud explica tamanha metamorfose. Quem conhece sua trajetória lembra bem: quando era vereador, rolava no chão na inauguração do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), babando e gritando como um completo desequilibrado, olhos vermelhos, quase possuído — esse é o verdadeiro Abílio, e não o personagem mal ensaiado que tenta vender hoje. Quem acompanha sua história sabe que não há vestígio de serenidade ou escrúpulo nesse figurino improvisado. É só mais um papel oportunista de quem se veste da personalidade que lhe convém no momento. Um perigo travestido de sensato.