Terceiro Setor na mira: Deputado Diego Guimarães destina quase R$ 10 milhões a institutos e associações

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Terceiro Setor na mira: Deputado Diego Guimarães destina quase R$ 10 milhões a institutos e associações

Enquanto escolas públicas agonizam por falta de estrutura, cidades esquecidas pelos deputados, hospitais enfrentam a penúria de medicamentos básicos e a população clama por políticas públicas robustas, um fenômeno silencioso, porém cada vez mais recorrente, toma conta da Assembleia Legislativa de Mato Grosso: a destinação milionária de emendas parlamentares para entidades do chamado “terceiro setor” — associações e institutos com pouca ou nenhuma tradição em execução de políticas públicas eficazes.

O caso mais recente é o do deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos), que entre 2024 e 2025, já direcionou quase R$ 10 milhões para entidades como o Instituto para o Desenvolvimento Econômico, Ambiental, Esportivo e Social de Mato Grosso, o Instituto Social Matogrossense, o Instituto Ibitiraty e a AMC — Associação Mato-grossense de Cultura. Todas essas instituições, embora habilitadas legalmente, apresentam histórico opaco e sem registros de projetos transformadores que justifiquem a confiança e os volumes financeiros repassados.

A destinação desse montante expressivo ocorre num cenário em que o Estado já presenciou operações como a “Operação Suserano”, deflagrada pela Polícia Civil em 2024, que mirou um esquema de corrupção na Secretaria de Agricultura Familiar (SEAF). O modus operandi era o mesmo: parlamentares utilizavam emendas para irrigar entidades “laranjas”, que simulavam projetos sociais e desviavam recursos públicos. Um ciclo vicioso de cooptação, clientelismo e impunidade.

A repetição da prática levanta a pergunta inevitável: será que estamos diante de uma nova leva de escândalos anunciados? As cifras, os métodos e o silêncio dos órgãos de controle parecem caminhar para um déjà vu institucional.