A visita de Tarcísio de Freitas a Cuiabá neste sábado (19.jul) para participar do casamento da filha de Cidinho Santos, presidente da Nova Rota do Oeste, foi mais que um gesto social: foi um movimento calculado no tabuleiro nacional. Cercado por figuras influentes do agronegócio e da política mato-grossense, o governador de São Paulo vem, com discrição estratégica, pavimentando sua candidatura à Presidência da República. Com o padrinho Jair Bolsonaro cada vez mais fragilizado — agora usando tornozeleira eletrônica e cercado por investigações —, Tarcísio adota a postura do herdeiro funcional: não confronta, mas também não se compromete.
A elite empresarial que o recebeu com entusiasmo em solo mato-grossense já não aposta em Bolsonaro como viável em 2026. Prefere Tarcísio: técnico, obediente e politicamente moldável, visto como um nome “mais palatável” para os interesses econômicos e menos sujeito a rompantes ideológicos. Ao manter-se sorridente em meio a uma festa luxuosa, enquanto seu mentor político enfrenta um colapso judicial e moral, Tarcísio sinaliza que está pronto para herdar o espólio da direita — desde que o faça sem barulho e com a bênção dos que realmente mandam: os grandes donos do poder econômico.