O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), recorreu à própria orientação sexual para tentar desqualificar o Campeonato de Farmar Aura, previsto para esta sexta-feira (24), no Parque das Águas. Ao dizer que não sabia o significado da expressão porque seria “hétero”, o prefeito associou, sem qualquer fundamento, uma atividade de dança e criatividade à orientação sexual dos participantes.
A declaração pode ser interpretada como homofóbica por reforçar o estereótipo de que determinadas danças, comportamentos ou expressões culturais não seriam compatíveis com pessoas heterossexuais. “Farmar aura” não possui relação com sexualidade. É apenas uma gíria usada principalmente por adolescentes para descrever alguém que conquista admiração por atitudes consideradas criativas ou estilosas.
Abilio também afirmou que a atividade não “edifica a família” e que poderia “diminuir a imagem do ser humano”. Com isso, foi além de uma discussão administrativa sobre autorização para usar o parque e lançou julgamento moral sobre jovens que pretendiam apenas dançar e se divertir.
Se o problema fosse exclusivamente a ausência de licença ou de um responsável técnico, a Prefeitura poderia orientar os organizadores sobre a regularização. Ao misturar sexualidade, família e suposta vergonha com uma manifestação juvenil, o prefeito transformou uma questão burocrática em discurso carregado de preconceito. Ser hétero não impede ninguém de compreender uma gíria — e muito menos autoriza um gestor público a constranger quem se expressa de maneira diferente.