A história política de Mato Grosso registrou uma das maiores contradições sociais já vistas no país. Sob a gestão de Mauro Mendes, o Estado assistiu a uma inversão explícita de prioridades, onde a balança do governo pendeu descaradamente para a elite econômica em detrimento da população trabalhadora. Enquanto o cidadão comum de Cuiabá e Várzea Grande enfrenta diariamente a rotina desgastante do transporte público precário, o Palácio Paiaguás canalizou vultosos recursos públicos para erguer o Parque Novo Mato Grosso — um megaprojeto orçado em cerca de R$ 3 bilhões, apelidado popularmente de "Parque dos Bilionários". Não bastasse o valor astronômico em um estado carente de infraestrutura básica, a administração desse espaço foi entregue de mão beijada para grandes nomes do agronegócio, consagrando a máxima de que dinheiro público served para alimentar o privilégio privado.
Enquanto a elite comemorava a concessão de um luxuoso espaço de lazer financiado pelo contribuinte, o povo cuiabano e várzea-grandense assistia ao desmantelamento de um sonho coletivo: o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Em uma decisão unilateral e altamente criticada, Mauro Mendes sepultou um sistema moderno, sustentável e confortável, que já contava com cerca de 70% das obras estruturais concluídas. Em vez de finalizar o projeto que traria dignidade, ar-condicionado, rapidez e emissão zero de poluentes para centenas de milhares de passageiros, o ex-governador optou por rebaixar a mobilidade da região metropolitana ao patamar do ônibus, prometendo um sistema BRT que arrasta problemas e prazos há anos.
A afronta à população ganhou contornos ainda mais revoltantes com a destinação dada ao patrimônio já pago pelo povo mato-grossense. Os vagões do VLT, que passaram anos estacionados e deteriorando-se no galpão em Várzea Grande, foram vendidos pelo governo estadual para a Bahia. O resultado dessa transação é um tapa na cara do cidadão local: hoje, os baianos desfrutam do conforto, da tecnologia e da eficiência do trem elétrico que foi comprado com os impostos de Mato Grosso. Enquanto Salvador avança sobre trilhos modernos, a grande Cuiabá amarga a perda de um modal estruturante, vendo seu investimento evaporar em negociações políticas que nunca beneficiaram quem realmente anda de transporte coletivo.
Em troca do VLT vendido, o que sobrou para as duas maiores cidades do estado foi um cenário interminável de transtorno, poeira e caos urbano. As avenidas do CPA e Fernando Corrêa, em Cuiabá, assim como os principais corredores de Várzea Grande, transformaram-se em canteiros de obras arrastados que parecem nunca ter fim, destruindo o comércio local e infernizando o trânsito diariamente. A população paga a conta do estresse, do atraso no trabalho e da inalação de fumaça, tudo para que, no final da novela, a solução entregue seja apenas mais ônibus trafegando no asfalto — longe do salto de qualidade que o transporte guiado por trilhos proporcionaria.
O legado da era Mauro Mendes consolida-se, assim, como uma caricatura da desigualdade institucionalizada: a política do "para os ricos, tudo; para o povo, o mínimo". O contraste entre um parque multibilionário entregue à tutela dos barões da soja e a humilhação diária enfrentada pela população trabalhadora nas paradas de ônibus escancara o perfil de uma gestão que governou de costas para as necessidades básicas do cidadão. Para o mato-grossense comum, restaram as obras inacabadas, a raiva no trânsito e o ônibus abafado; para os bilionários, a chave do parque.
Para os Ricos, R$ 3 Bilhões de Parque; Para o Povo, Fumaça, buracos e Ônibus Lotado: O Legado de Mauro Mendes
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