SEMA acusa Ministério Público de perseguição por “mexerem no morro”; Mato Grosso gargalha em uníssono

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SEMA acusa Ministério Público de perseguição por “mexerem no morro”; Mato Grosso gargalha em uníssono

Em uma cena digna de tragicomédia cabocla, a Secretária de Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, acusou o Ministério Público Estadual (MPMT) de estar cometendo um “excesso” — veja bem, excesso — ao embargar as obras no Morro de Santo Antônio. A montanha, outrora imponente, hoje exibe uma vasta ferida escancarada, lembrando ao observador menos distraído que até os morros, se cutucados demais, acabam sangrando. A paisagem, agora marcada por uma espécie de abdominoplastia topográfica, se tornou símbolo involuntário da ousadia geológica da gestão estadual.

A SEMA, sob o comando de Lazzaretti, parece ter entendido errado o conceito de “intervenção mínima” na natureza: foi lá e fez uma escultura expressionista com maquinaria pesada. Segundo a secretária, o Ministério Público estaria perseguindo a pasta ambiental como quem não aceita que mexam em suas montanhas de estimação. A fala, que mais pareceu um número de stand-up involuntário, arrancou risos até de ambientalistas deprimidos e geólogos de coração partido. Afinal, é preciso ter nervos de titânio (ou senso de humor geológico) para ouvir uma gestora ambiental defender o desmonte de um patrimônio natural e ainda se dizer perseguida por quem tenta protegê-lo.

Parece piada, mas a senhora falou sério. E o que era pra ser um debate técnico sobre licenciamento e impacto ambiental virou uma peça de teatro do absurdo, encenada ao ar livre — no palco natural devastado do Morro de Santo Antônio. Enquanto isso, o povo mato-grossense, entre incrédulo e resignado, assiste ao espetáculo com a única arma que lhe resta: a gargalhada. Porque rir, neste caso, é resistir à tristeza de ver a natureza tratada como entulho com CNPJ.