Por mais de três décadas, o Hospital Central de Mato Grosso foi o retrato do abandono. Uma estrutura parada, carcomida pelo tempo e pelas promessas não cumpridas. Em seu governo, Mauro Mendes (União) assumiu o compromisso de finalmente concluir essa obra emblemática, mas ao que tudo indica, preferiu fazer da saúde pública um palco para a política, a publicidade e a procrastinação.
Nesta quinta-feira (27), ao comentar sobre o nome a ser dado ao hospital — um detalhe protocolar frente à urgência da entrega — o governador deixou escapar o que parece ser o verdadeiro foco de sua gestão: o discurso. Reafirmou sua “preferência” por um médico de relevância social, como o doutor Benedito Figueiredo, mas deixou nas mãos da Assembleia Legislativa (ALMT) a escolha definitiva, que já virou motivo de disputa entre blocos políticos. Enquanto isso, o hospital, pronto, equipado, com contrato já executado em 100%, permanece de portas fechadas.
É preciso perguntar: se o contrato com o consórcio responsável já não permite mais aditivos, como o governador pretende justificar as “novas mudanças” que, segundo ele, ainda estão em curso? A obra está tecnicamente concluída. A estrutura física existe, os equipamentos estão sendo instalados, a despesa pública já foi feita — mas o serviço à população não chegou. Por quê?
A resposta parece estar menos na engenharia civil e mais na engenharia política. Entregar o maior hospital do estado às vésperas de deixar o cargo pode parecer, para alguns, uma jogada ruim. Melhor, talvez, deixar o fardo para o sucessor, enquanto se investe pesado na propaganda, na criação de narrativas, em placas, slogans e entrevistas com frases de efeito. Ao que tudo indica, para o governador, fazer política com a saúde tem mais valor do que fazer saúde com a política.
O povo cuiabano e mato-grossense não precisa de mais discursos, cerimônias ou manobras parlamentares sobre nomes. Precisa de leitos, de atendimento, de dignidade. O governador Mauro Mendes não pode seguir empurrando com a barriga uma obra que já está pronta, paga, e que deveria ser entregue imediatamente. Cada dia de atraso representa sofrimento real: mães sem atendimento, filas de espera para cirurgias, UTIs lotadas, diagnósticos tardios.
O Hospital Central não é um troféu de vaidade. É uma urgência humanitária. Respeite o povo de Mato Grosso, governador. Entregue a obra.