Racha político paralisa VG e presidente do TCE-MT pede intervenção do Estado no DAE

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Racha político paralisa VG e presidente do TCE-MT pede intervenção do Estado no DAE

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) fez, nesta terça-feira (25.11), uma das manifestações mais contundentes já registradas sobre a situação administrativa de Várzea Grande. Ao defender que o governo estadual intervenha no Departamento de Água e Esgoto do município (DAE/VG) — nos mesmos moldes da intervenção na saúde de Cuiabá —, o conselheiro afirmou que a cidade "não tem caminhos" e corre o risco de permanecer estagnada por mais uma década.

Durante sessão do TCE, o presidente destacou que se manifesta não apenas como gestor público, mas como cidadão com vínculos afetivos com o município. "Eu tenho o título de cidadão mato-grossense, então sou mato-grossense. Tenho o título de cidadão cuiabano, sou cuiabano. Tenho o título de cidadão várzea-grandense, concedido pelo então vereador Campos Neto. Então eu sou várzea-grandense também. E eu falo como cidadão", declarou.

O conselheiro apontou o que classificou como um "abismo" entre os principais atores políticos da cidade — a prefeita, o vice-prefeito e a Câmara Municipal — situação que, segundo ele, impede qualquer avanço administrativo.

"Há um desentendimento profundo que se aprofunda cada vez mais. Já se formou um abismo entre a prefeita, a Câmara Municipal e o vice-prefeito. Com esses engenheiros, eles não vão conseguir construir uma ponte, porque cada um puxa para um lado", afirmou.

Ele traçou paralelo com o histórico desgaste entre o ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, e o governador Mauro Mendes, que travou projetos e execuções na capital por anos. "Lá não está andando também. E aí quem sofre é o povo."

Colapso no abastecimento e endividamento do DAE

O presidente do TCE também destacou problemas estruturais graves, como a crise hídrica e o endividamento crítico do Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG). "Não adianta fingir que não está vendo. Falta água a semana inteira, queima uma bomba naquele TIE. Hoje o DAE paga um milhão por mês de energia elétrica atrasada. Um milhão por mês", denunciou.

Para o conselheiro, apenas uma ação direta do governo estadual seria capaz de reorganizar a gestão e restabelecer serviços básicos.
"O que Várzea Grande precisa é de uma intervenção do Estado, como o Estado fez com a saúde em Cuiabá. Porque a situação de Várzea Grande não tem caminhos. Vamos ter mais 10, 15, 20 anos e ela vai ficar do mesmo jeito."

O conselheiro reforçou que o Tribunal de Contas está disposto a participar ativamente de uma solução. "Assim como atuamos na intervenção da saúde e contribuímos para resolver grandes problemas em Cuiabá, nós vamos fazer também em Várzea Grande. Não adianta ninguém fingir que não está vendo."

O posicionamento não implica, por si só, abertura de processo formal de intervenção — medida que depende de decisão do governo estadual e, em última instância, da Assembleia Legislativa. No entanto, a declaração acende o sinal de alerta máximo num momento em que: A relação entre prefeita e vice atravessa ruptura pública, a Câmara Municipal trava pautas essenciais, o DAE enfrenta crise financeira e operacional severa e a população sofre com desabastecimento recorrente de água.