Quase dois anos de gestão, Abilio segue sem hospital veterinário e Prefeitura admite abrigo superlotado

· 2 minutos de leitura
Quase dois anos de gestão, Abilio segue sem hospital veterinário e Prefeitura admite abrigo superlotado

A gestão do prefeito Abilio Brunini (PL) se aproxima de completar dois anos à frente da Prefeitura de Cuiabá ainda sem conseguir entregar uma estrutura pública definitiva para atender a crescente demanda da causa animal. Além de o Hospital Veterinário Municipal permanecer sem conclusão, a própria administração reconheceu oficialmente que o abrigo municipal está superlotado.

A situação aparece na Gazeta Municipal de segunda-feira (14), em um Termo de Ajuste de Contas firmado pelo Fundo Municipal de Bem-Estar Animal (Funbea) para pagar R$ 30.806,97 a uma clínica veterinária particular.

O valor é referente a serviços de urgência e emergência, resgates, internações, exames e cirurgias realizados em animais recolhidos das ruas entre 30 de abril e 28 de maio deste ano. O detalhe que expõe a fragilidade da estrutura municipal está na própria justificativa apresentada pela Prefeitura: os atendimentos foram realizados sem cobertura contratual, em meio à inexistência de contrato vigente, à superlotação do abrigo municipal e ao aumento da demanda por resgates.

Ou seja, quase dois anos depois de Abilio assumir o Palácio Alencastro, a Prefeitura continua dependendo de clínicas particulares para absorver casos que a estrutura própria não consegue atender.

O cenário fica ainda mais delicado porque Cuiabá continua sem o Hospital Veterinário Municipal em funcionamento. A obra foi iniciada na gestão anterior e deveria ter sido entregue ainda em 2024, mas permaneceu inacabada. Em janeiro deste ano, a própria gestão Abilio informou que não tinha recursos para concluir o empreendimento, orçado em cerca de R$ 7 milhões, e não apresentou previsão para a entrega.

Enquanto o hospital não sai do papel e o espaço destinado aos animais já não comporta a demanda, o Município recorre a pagamentos indenizatórios para quitar serviços prestados por terceiros.

No caso publicado nesta segunda-feira, a Prefeitura justificou que os atendimentos foram efetivamente realizados em caráter emergencial e ininterrupto e que a clínica atuou de boa-fé, sem responsabilidade pela ausência de contrato. O pagamento será feito em parcela única.

A publicação, porém, deixa uma pergunta incômoda para a gestão: depois de quase dois anos de governo, por que Cuiabá ainda não tem hospital veterinário funcionando e continua com um abrigo municipal superlotado?

Em 2025, a própria Prefeitura chegou a anunciar reformas e ampliação do canil municipal para aumentar a capacidade de acolhimento. A Gazeta de agora mostra que, apesar das intervenções anunciadas, a falta de espaço continua sendo usada pela administração como justificativa para recorrer à rede privada.