O governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou, durante debate eleitoral, que a alíquota previdenciária de 14% cobrada de servidores aposentados de Mato Grosso teria sido eliminada. A declaração no debate da Gazeta realizado na terça-feira (1), chamou atenção porque o desconto, instituído durante a gestão Mauro Mendes (UB), continua sendo um dos principais pontos de reclamação das entidades que representam o funcionalismo estadual.
A questão surgiu quando Pivetta foi confrontado sobre o superendividamento dos servidores públicos. Após responder sobre medidas adotadas pelo Estado para limitar empréstimos consignados, a jornalista Luciana Gavilha perguntou diretamente se ele pretendia manter, reduzir ou aumentar a contribuição de 14% dos aposentados.
“Essa alíquota foi eliminada com essa lei, Luciana”, respondeu Pivetta.
A afirmação foi imediatamente contestada durante a transmissão. Os comentaristas lembraram que a contribuição previdenciária de 14% permanece sendo descontada dos aposentados e pensionistas enquadrados nas regras vigentes e continua sendo questionada judicialmente por entidades sindicais.
A cobrança foi instituída no contexto da reforma da Previdência estadual aprovada em 2020. Na ocasião, a contribuição dos servidores passou de 11% para 14%, atingindo também aposentados e pensionistas em condições mais amplas do que anteriormente.
Desde então, sindicatos mantêm forte oposição à medida. Entidades chegaram a recorrer à Justiça sob o argumento de que o desconto compromete a renda de aposentados, justamente em uma fase da vida em que muitos enfrentam aumento de gastos e redução do poder de compra.
Durante o debate, a declaração de Pivetta levantou dúvidas sobre se o candidato se confundiu ao responder à pergunta ou se pretendia se referir a alguma mudança específica nas regras dos consignados, assunto que vinha tratando momentos antes. O próprio contexto da resposta, porém, foi diretamente relacionado pela jornalista à contribuição previdenciária dos aposentados.
O episódio ganhou ainda mais peso porque a alíquota de 14% é considerada uma das medidas mais impopulares adotadas pelo governo Mauro Mendes junto ao funcionalismo estadual.
Ao falar sobre o endividamento, Pivetta também reconheceu parcialmente a responsabilidade do Estado. “Eu não posso dizer que o Estado não participou disso porque foi autorizado”, afirmou, embora tenha ressaltado que os próprios servidores tomaram a iniciativa de contratar os empréstimos.
Segundo dados apresentados durante o debate, 62 mil servidores estariam endividados ou superendividados, sendo que cerca de 8 mil teriam até 70% da renda comprometida e outros 20 mil, comprometimento de aproximadamente 35%.
A declaração sobre os 14%, entretanto, acabou se tornando um dos pontos de maior controvérsia da resposta do governador, justamente porque aposentados ainda convivem com o desconto em seus vencimentos.