A frase agressiva usada pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), contra a chapa de Wellington Fagundes (PL) voltou como um bumerangue menos de 24 horas depois.
Na quarta-feira (5), Abilio atacou a aliança de Wellington com Janaína Riva, Jayme Campos e Emanuel Pinheiro. “Quanto mais juntar porcaria num grupo só, menos chance tem de ganhar”, disparou o prefeito, que rejeita subir no palanque do candidato do próprio partido.
Nesta quinta-feira (6), porém, a Polícia Federal deflagrou a Operação Heritage, que colocou entre os alvos de busca e apreensão o ex-governador Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia — justamente dois dos principais nomes do grupo político de Otaviano Pivetta, candidatura pela qual Abilio já demonstrou simpatia. Fábio foi indicado para ser vice de Pivetta, enquanto Mauro é um dos principais articuladores da chapa.
A PF apura um suposto esquema envolvendo desvio de mais de R$ 308 milhões em um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e uma empresa de telefonia. A operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e determinou bloqueio de bens de até R$ 316 milhões.
A investigação não significa condenação, e Mauro Mendes e Fábio Garcia têm direito à presunção de inocência. Mas o episódio expõe a seletividade do discurso de Abilio.
Quando a suspeita ou o desgaste político atingem o grupo adversário, o prefeito chama os integrantes de “porcaria”. Quando a Polícia Federal bate à porta dos principais aliados do palanque que ele prefere, qual será a classificação?
Abilio agora precisa responder se usará a mesma régua para os dois lados ou se a “porcaria”, em sua avaliação, só existe quando está no palanque adversário.