O vereador Rafael Ranalli (PL) parece esquecer que os petistas que ele ataca também pagam impostos em Cuiabá. A remuneração dos parlamentares é paga com recursos públicos, abastecidos pela arrecadação de toda a população. Ou seja: parte do dinheiro que mantém o mandato de Ranalli vem de contribuintes que, segundo suas próprias declarações, poderiam “ficar sem emprego” por serem petistas.
“Fez o L, fica sem emprego” e “Se o cara quiser mandar embora o petista, ele manda” foram algumas das frases que levaram o Ministério Público do Trabalho (MPT) a entrar com uma ação civil pública contra o vereador. A 7ª Vara do Trabalho de Cuiabá concedeu liminar e determinou que Ranalli removesse as publicações e não incentivasse empregadores a discriminar ou demitir trabalhadores por posição política. A decisão prevê multa em caso de descumprimento.
A Justiça também ressaltou que a imunidade parlamentar não protege manifestações discriminatórias feitas fora das atividades do mandato. O pedido de retratação pública ainda será analisado, e a ação segue em tramitação. O episódio deixa uma pergunta: como um vereador pode defender que trabalhadores sejam punidos por sua posição política e, ao mesmo tempo, ignorar que esses mesmos cidadãos contribuem para pagar seu salário?