Abílio quer cortar mãos e pés de ladrões, mas gestão é cobrada por denúncia de assédio sexual e falta de investigação

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Abílio quer cortar mãos e pés de ladrões, mas gestão é cobrada por denúncia de assédio sexual e falta de investigação

O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), voltou a protagonizar um discurso polêmico nesta quarta-feira (4), ao defender que ladrões de fios de igrejas tenham mãos e pés cortados como punição. A declaração, feita após o furto da fiação da Capela São Pedro, no bairro Alvorada, revela mais uma vez o estilo de um prefeito que aposta em frases de efeito e discursos inflamados para conquistar aplausos. A indignação seletiva, entretanto, chama a atenção. Enquanto defende punições incompatíveis com a Constituição Federal, sua própria gestão enfrentou denúncias de assédio sexual envolvendo um integrante do primeiro escalão. O episódio levanta uma pergunta inevitável: por que tanto rigor no discurso contra criminosos e tão pouca disposição, segundo seus críticos, para esclarecer denúncias dentro da própria administração? Abílio também já teve a oportunidade de atuar como deputado federal, cargo no qual poderia apresentar propostas para endurecer a legislação penal. Agora, como prefeito, prefere defender punições inconstitucionais diante das câmeras. A distância entre o discurso e a atuação legislativa alimenta críticas de que suas declarações são muito mais demagogia do que compromisso efetivo com a segurança pública.

A contradição ganha ainda mais força diante dos questionamentos sobre a atuação da Prefeitura e da base governista na Câmara Municipal em relação à apuração do caso de assédio. Há acusações de que a gestão teria dificultado investigações e de que a abertura de uma CPI não avançou, circunstâncias que precisam ser devidamente esclarecidas. Abílio, que se apresenta como defensor da moralidade e da punição rigorosa, parece encontrar mais facilidade em produzir declarações de impacto do que em oferecer respostas concretas sobre os problemas de Cuiabá. Apelidado por críticos de “prefeito TikTok”, Brunini coleciona polêmicas e narrativas políticas feitas sob medida para Instagram e outras redes sociais, enquanto sua administração é cobrada por resultados. A imagem que transmite é a de um gestor com muito discurso e pouco conteúdo administrativo, mais preocupado com curtidas, visualizações e repercussão digital do que com soluções para a capital. Entre frases de efeito, demagogia e espetáculos virtuais, Cuiabá continua esperando um prefeito que governe de verdade, em vez de transformar a Prefeitura em um permanente estúdio de produção de conteúdo político.