Segundo a credor de José Pupin, a ligação entre Novackie a advogada Renata Barcaro, sua ex-sócia e pessoa de confiança, indica um padrão de comportamento revelados na Sisamnes
Uma manifestação protocolada pela Agrimaque Peças Agrícolas na 1ª Vara Cível de Campo Verde, dentro da Recuperação Judicial de José Pupin, relaciona fatos apurados na operação à atuação do advogado EumarRoberto Novacki, que defende o agricultor e, ao mesmo tempo, teria representado um credor do grupo.
Segundo a denúncia, a referência à Sisamnes não é casual. A petição afirma que a operação revelou “uma teia de relações entre empresários, advogados e agentes públicos”, e que alguns dos nomes citados em investigações passadas “voltaram a atuar nos mesmos círculos empresariais e jurídicos sob investigação”.
Para a Agrimaque, esse contexto reforça a necessidade de uma apuração rigorosa sobre possíveis conflitos de interesse, favorecimentos processuais e tráfico de influência em torno da recuperação de Pupin.
“A menção à Operação Sisamnes não é gratuita: trata-se de um lembrete de que o sistema de justiça em Mato Grosso ainda enfrenta as consequências de um período em que decisões eram negociadas e processos conduzidos sob influência de interesses escusos”, diz trecho da manifestação.
O texto cita a operação como exemplo do que chama de “relação promíscua entre advogados e julgadores”, usada como pano de fundo para contextualizar as suspeitas que agora recaem sobre Novacki. Segundo a Agrimaque, a ligação entre ele e a advogada Renata Barcaro, sua ex-sócia e pessoa de confiança, indica um padrão de comportamento já observado em “casos emblemáticos de favorecimento indevido” revelados na Sisamnes.
“Não se trata de coincidência que personagens já mencionados em investigações de tráfico de influência, como as que emergiram na Operação Sisamnes, voltem a figurar em processos de elevado interesse econômico, conduzindo estratégias paralelas entre credores e devedores”, sustenta o documento.
A manifestação aponta que o advogado EumarNovacki teria representado a Agropecuária Araguari Ltda., credora extraconcursal do grupo Pupin, em uma execução baseada em distrato contratual que previa a entrega de 70 mil sacas de soja, ao mesmo tempo em que passou a advogar para o próprio Pupin na recuperação judicial. A sobreposição de papéis, segundo a Agrimaque, representa patrocínio infiel e tergiversação.
“A simultaneidade de atuações, aliada ao histórico de vínculos societários e familiares entre os advogados, remete à mesma lógica de confusão ética e de favorecimentos cruzados que a Operação Sisamnestrouxe à tona. O que antes se via na venda de decisões, agora se repete na manipulação processual dentro da recuperação judicial.”
A empresa pede que o juiz da 1ª Vara Cível determine a intimação de Eumar Novacki e Renata Barcaro para prestarem esclarecimentos e que os autos sejam encaminhados ao Ministério Público e à OAB-MT para apuração de eventuais ilícitos penais e disciplinares. Também solicita a decretação da falência dos recuperandos, sob o argumento de que o processo “foi contaminado por vícios éticos e jurídicos irreparáveis”.
“A Sisamnes mostrou como o poder jurídico, quando capturado, corrói a confiança nas instituições. O caso Pupin expõe que as práticas que a operação tentou desmontar continuam a reverberar, ainda que sob novas roupagens”, finaliza a denúncia.
A petição reacende a conexão entre grandes causas empresariais e o ambiente de suspeitas instaurado após a Operação Sisamnes, reforçando que, mesmo anos depois, seus reflexos ainda ecoam em disputas milionárias que envolvem alguns dos mais influentes nomes do agronegócio e do meio jurídico de Mato Grosso.