No Subsolo do Fundo do Poço: Como a Busca pelo Desembargo Impactou a Credibilidade do MP-MT

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No Subsolo do Fundo do Poço: Como a Busca pelo Desembargo Impactou a Credibilidade do MP-MT

O Ministério Público de Mato Grosso atravessa um período de intensos questionamentos, com críticos apontando que a instituição foi levada a um nível de desprestígio sem precedentes por um trio de promotores que teria priorizado projetos pessoais. Deosdete Cruz, Marcos Regenold e José Antônio Borges são acusados de transformar a missão ministerial em um campo de articulações políticas, utilizando a postura combativa contra o ex-prefeito Emanuel Pinheiro como estratégia de aproximação com o Palácio Paiaguás — denúncia esta sustentada pelo deputado federal Emanuel Pinheiro Neto que, sob a proteção de sua imunidade parlamentar, afirmou que os promotores agiram de forma coordenada para perseguir o então prefeito Emanuel Pinheiro em benefício do governador Mauro Mendes. O desfecho dessa articulação resultou na ascensão de Deosdete e Regenold ao Tribunal de Justiça pelo Quinto Constitucional, em um processo de nomeação e publicação fulminante, realizado em tempo recorde para garantir o cargo.
A narrativa de bastidores aponta para uma rasteira política contra José Antônio Borges, o ex-chefe que acabou isolado e preterido por seus antigos aliados. Enquanto Borges era visto como um nome próximo ao governador, Deosdete Cruz demonstrava um estreito alinhamento estratégico com o núcleo familiar do governador, mantendo uma presença constante junto à primeira-dama Virgínia Mendes, o que teria pavimentado seu caminho rumo à segunda instância. Atualmente, os novos desembargadores acompanham a consolidação de seus familiares no mercado jurídico mato-grossense, sendo público que a esposa de Deosdete e o filho de Regenold exercem a advocacia no estado. Paralelamente, paira no ar a expectativa sobre como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) se posicionará diante de eventuais questionamentos, testando se haverá um rigor diferente daquele observado em instâncias administrativas anteriores. O declínio de Borges foi selado quando, ao tentar retomar o protagonismo na eleição para Procurador-Geral de Justiça, obteve uma votação inexpressiva.
No campo das controvérsias, Marcos Regenold completa a tríade, carregando um histórico de frequentes questionamentos que remontam à sua atuação em Rondonópolis e a episódios amplamente divulgados pela imprensa, como o caso das cartas de crédito. É de conhecimento público, inclusive, o registro de operações da Polícia Federal que chegaram a visitar a residência do então promotor nas primeiras horas da manhã em desdobramentos passados, fatos que alimentaram o debate sobre sua credibilidade. Assim como Deosdete, Regenold enfrentou resistência interna, obtendo votações modestas entre seus pares no Ministério Público e na formação da lista pelo Tribunal de Justiça.
São episódios como os protagonizados por esse trio que fazem com que a reforma do Judiciário e do Ministério Público ganhe força em Brasília, ecoando um sentimento de exaustão da sociedade brasileira diante de profissionais que utilizam o poder das instituições para fins de projeção individual. Em meio a esse cenário de desgaste, a esperança institucional recai sobre o atual Procurador-Geral de Justiça, Rodrigo Costa, visto como um promotor sério e de alta credibilidade, que vem empenhando esforços para resgatar a reputação do MP-MT e retirar a instituição do abismo deixado pelas gestões focadas em projetos pessoais.