O Brasil começa a ver o andar de cima do crime organizado exposto. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a nova ofensiva contra facções nĂŁo se limita mais a prender “aviõezinhos” e “mulas”: agora, chegou Ă Faria Lima, coração da elite econĂ´mica do paĂs, onde fintechs de fachada se instalaram para lavar dinheiro do PCC em escritĂłrios luxuosos.
Ao mesmo tempo, em Mato Grosso, a denĂşncia do ex-governador e advogado Pedro Taques dá o tom local desse escândalo nacional. Ele revelou que a Pixcar, fintech já citada em relatĂłrios da PolĂcia Federal por ligação com o PCC, atua diretamente dentro do governo Mauro Mendes, administrando consignados e cartões de benefĂcios de servidores pĂşblicos estaduais. Isso significa que o salário do trabalhador mato-grossense pode estar sendo misturado, na prática, com recursos do crime organizado.
Trata-se de um quadro que conecta os dois extremos: em BrasĂlia, Haddad aponta para o “andar de cima” blindado pela sofisticação financeira; em Mato Grosso, Taques denuncia a infiltração criminosa no cotidiano do servidor pĂşblico. O que antes parecia distante — elites financeiras lavando dinheiro de facção em SĂŁo Paulo — agora aparece com endereço certo no coração da gestĂŁo Mauro Mendes. Uma crise de proporções inĂ©ditas, que coloca em xeque a segurança do sistema financeiro estadual e a prĂłpria credibilidade do governo.