Uma reunião realizada no dia 14 de setembro de 2026, às 14h30, na Sala de Soluções da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT), pode se tornar uma peça importante na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que envolve Mauro Mendes, Virgínia Mendes, Cidinho Santos e Elson Ramos. Convocado pela Superintendência de Gestão Integrada, o encontro da CT Grandes Eventos teve como pauta o planejamento integrado das ações operacionais para o show “Histórias”, realizado em 26 de setembro, na Arena Pantanal. Fontes que revelaram as informações ao Blog do Popó trouxeram à luz detalhes de uma reunião que, segundo elas, não havia sido divulgada publicamente, especialmente as advertências feitas pelo promotor de Justiça Mauro Poderoso, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, e integrante do Centro de Apoio Operacional Eleitoral (CAO Eleitoral) do Ministério Público Estadual. Conforme os relatos, o promotor teria alertado mais de uma vez, durante a reunião, que pedidos de votos, menções a nomes de candidatos ou divulgação de números eleitorais durante o espetáculo poderiam resultar até mesmo na cassação de candidaturas. Entre os participantes apontados pelas fontes estavam representantes do Corpo de Bombeiros Militar, da Polícia Militar, incluindo um coronel da corporação, da Polícia Civil, do Poder Judiciário e do Procon. Também teriam participado Jaqueline, coordenadora de eventos da empresa de Elson Ramos, segundo suplente de Mauro Mendes, e Leonardo, advogado da mesma empresa. Caso essas presenças e advertências sejam confirmadas, ficará demonstrado que representantes da organização do espetáculo receberam orientações expressas sobre as restrições eleitorais e as possíveis consequências de seu descumprimento.
Apesar das advertências que, segundo as fontes ouvidas pelo Blog do Popó, teriam sido repetidas mais de uma vez pelo promotor Mauro Poderoso, 12 dias antes do espetáculo, o apresentador Cuiabano Lima utilizou o sistema de som da Arena Pantanal para fazer referências eleitorais e anunciar o número associado à candidatura, diante de um público estimado em mais de 40 mil pessoas. A manifestação também foi compartilhada por Virgínia Mendes nas redes sociais, acompanhada da legenda “É 4444”. As revelações sobre a reunião, até então não levadas ao conhecimento público segundo as fontes, acrescentam um elemento potencialmente relevante à investigação: os representantes da empresa ligada ao segundo suplente de Mauro Mendes teriam sido advertidos antecipadamente sobre o risco de cassação, mas a manifestação eleitoral ocorreu mesmo assim. A questão que se coloca é se os organizadores tinham conhecimento prévio das restrições e quais providências adotaram para impedir seu descumprimento. A reunião poderá ganhar importância na AIJE proposta por Pedro Taques, que tramita no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso. Caberá à Justiça Eleitoral avaliar a comprovação dos relatos, a responsabilidade individual dos investigados e a gravidade dos fatos para eventual aplicação das sanções previstas na legislação.
O espaço do Blog do Popó segue aberto para manifestações e esclarecimentos de todos os citados nesta reportagem.