Enquanto o governador Mauro Mendes posa ao lado de Cláudio Castro para defender “mão de ferro” e “leis duras” contra o crime organizado, a memória recente de Mato Grosso cobra coerência. Em 2022, Nilton Borges Borgato, ex- secretário de Ciência e Tecnologia — que permaneceu no cargo até o prazo legal para deixar o governo para disputar a eleição de 2022 — foi preso por suspeita de tráfico internacional de drogas, alvo da Operação Descobrimento da Polícia Federal. Um caso gravíssimo, envolvendo o envio de cocaína para a Europa, que atingiu diretamente o alto escalão da gestão Mauro Mendes.
E o que aconteceu depois? A mesma “lei frouxa” tão duramente criticada por Mauro Mendes colocou seu ex-secretário de volta para casa, com tornozeleira eletrônica. Nesse episódio, o governador não apareceu para reclamar da legislação branda, nem para pedir endurecimento penal. Pelo contrário: silêncio absoluto. Nenhuma palavra de indignação, nenhum discurso inflamado. A sociedade pergunta: que moral tem o governador para cobrar rigidez quando o caso atinge o próprio entorno político? Será que as “leis frouxas” só são problema quando convém ao discurso, mas viram solução silenciosa quando beneficiam aliados? Essas são perguntas que ecoam, enquanto Mato Grosso relembra que coerência também é segurança pública.
Mauro Mendes aplaude ação no Rio que deixou mais de 130 mortos e fala em “leis duras”, mas silencia sobre ex-secretário de seu governo preso por tráfico internacional de drogas e solto com tornozeleira graças às mesmas “leis frouxas” que critica.
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