O vereador Sargento Joelson (PSB) teria recebido a quantia de R$ 250 mil a título de propina, sendo 150 mil via Pix pago para um ‘interposto’ do vereador, além de outros R$ 100 mil pagos em espécie diretamente ao parlamentar. A informação consta na decisão da juíza Edna Ederli Coutinho, que expediu os mandados de busca e apreensão.
A quantia teria sido paga pela empresa HB20 Construções, que era responsável pelas obras do Contorno Leste, em Cuiabá. Na manhã desta terça-feira (29.04), a Polícia Civil deflagrou a Operação Perfídia, que teve como alvo Sargento Joelson, o vereador Chico 2000 (PL), então presidente da Câmara de Cuiabá, além de dois funcionários da HB20 e um sócio da empresa.
Os pagamentos teriam sido feitos pelo funcionário da HB20, João Jorge Souza Catalan Mesquita, para um interposto de Sargento Joelson, José Márcio da Silva Cunha.
“A dinâmica desse repasse, segundo os elementos iniciais, envolveria a atuação de João Jorge, funcionário da HB20, que teria operacionalizado R$ 150 mil em transferências via Pix para a conta bancária de José Márcio, apontado como interposto, além da entrega de numerário remanescente em espécie diretamente ao vereador Sargento Joelson”, diz o documento.
De acordo com as investigações, conversas de WhatsApp entre Sargento Joelson e João Jorge "reforçam a versão do denunciante sobre o ajuste ilícito". Além disso, a investigação constatou que o número utilizado na conversa realmente estava no nome do vereador, “fortalecendo a conexão entre os interlocutores e o conteúdo das mensagens”.
O pagamento da propina seria para que os vereadores aprovassem um projeto de lei que parcelou uma dívida do município de Cuiabá com a União. Como o município tinha essa dívida com o governo federal, ele não poderia receber recursos do mesmo. Portanto, estaria sem dinheiro para pagar pelos serviços prestados pela HB20.
Após a aprovação do projeto de lei pela Câmara de Cuiabá, a empresa em questão recebeu R$ 4,85 milhões de reais, maior valor recebido desde o início do contrato. Já o valor desembolsado pela empresa a título de propina, R$ 250 mil, seria distribuído para demais parlamentares para garantir o quórum necessário para aprovação do texto.
“A empresa recebeu um pagamento expressivo de R$ 4.849.652,46, o maior valor recebido durante a execução do contrato. A referida coincidência temporal, analisada em conjunto com os demais elementos informativos, elevou o grau de suspeita sobre a natureza dos pagamentos realizados, indicando uma possível correlação entre a atuação dos agentes públicos e o benefício financeiro auferido pela empresa”, afirma.
Fonte: Estadão Mato Grosso