Se a clínica estética fez milagre no rosto e no cabelo do secretário Fabinho Garcia, o mesmo não dá pra dizer da diplomacia e do equilíbrio político. Depois de tentar desarmonizar o Tribunal de Justiça dizendo que “dinheiro é do povo, não do Judiciário”, Fabinho resolveu estender o procedimento — só que ao contrário — para dentro do próprio partido, o União Brasil. O secretário, que aparentemente faz botox na testa mas nunca aplicou serenidade no discurso, agora resolveu reviver aquele trauma fresquinho da eleição de 2024 em Cuiabá, quando perdeu a vaga de candidato para Botelho e, de tão irritado, sumiu da campanha. Voltou só no dia seguinte para carimbar o resultado: “Se fossse eu, teria ganho”. Harmonização facial, rancor total.
E a cena desta vez aconteceu hoje 30/10 na entrega do programa Minha Casa Minha Vida do governo federal, em Cuiabá, com o ministro Carlos Fávaro representando o presidente Lula, onde Fabinho, diante de autoridades nacionais e beneficiários do programa habitacional, aproveitou o microfone para mandar recado interno de guerra fria no União Brasil. Entre um ajuste na sobrancelha e outro na franja, soltou a indireta ao senador Jayme Campos: a vaga ao Senado está garantida, mas se sonhar com governo, pode esquecer — há compromissos firmados desde 2018 e a porta está trancada. E ainda usou seu mantra de campanha frustrada: “pau que bate em Chico bate em Francisco”. No tradutor político: “se eu fui barrado, você também pode ser”.
Com essa energia de influencer pós-bronzeamento artificial e ressentimento guardado em pote hermético, Fabinho vai consolidando sua marca: o homem que harmonizou o rosto, mas deixou o ego inflamado; que arruma o cabelo, mas bagunça o próprio partido; que quer ser guardião dos cofres públicos contra servidores, mas nunca gastou tanto blush para aparecer. No fundo, ele só prova que em Mato Grosso existe um novo método estético: lifting político com ácido málico. Porque quando o trauma de eleição fala mais alto, nem toxina botulínica segura o chilique.