Fiel da Assembleia de Deus acusa Abílio Brunini de trair princípios cristãos ao orientar empresários a punirem quem diverge politicamente

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Fiel da Assembleia de Deus acusa Abílio Brunini de trair princípios cristãos ao orientar empresários a punirem quem diverge politicamente

Um membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus enviou ao Blog do Popó uma carta em que critica duramente a recente fala do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini. O fiel, que pediu anonimato por temer retaliações, afirmou que o discurso do prefeito — ao orientar empresários a “esperar o momento certo” para demitir quem comemorar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro — contraria os valores cristãos de perdão, compaixão e amor ao próximo.

A seguir, o texto enviado pelo assembleiano, publicado na íntegra:

A fala do prefeito Abílio Brunini é extremamente grave — não apenas pelo conteúdo político, mas pela contradição direta com os valores que ele próprio carrega de origem.
Abílio não citou igreja nem religião no vídeo.
Mas isso não muda o fato de que ele vem de uma história profundamente cristã, neto do Pastor Sebastião Rodrigues de Souza, um dos maiores líderes da Assembleia de Deus em Mato Grosso, e sobrinho do atual presidente da igreja na Baixada Cuiabana, pastor Silas Paulo de Souza.

Essa origem cristã deveria ser, no mínimo, um chamado permanente ao diálogo, à tolerância e ao respeito pelo próximo.
Mas o que vimos foi exatamente o contrário.

Ao orientar empresários a “esperar o momento certo” para demitir quem comemorar a eventual prisão de Bolsonaro, Abílio opta pela lógica da vingança — e isso é totalmente incompatível com a fé que moldou sua formação.

Vingança, no sentido mais direto, é o ato de buscar retribuição, punir alguém por discordar, por pensar diferente ou por expressar uma opinião.
É o impulso de ferir porque o outro o contrariou.
É a negação completa de qualquer forma de reconciliação.

E a fé cristã é exatamente o oposto disso.

O cristianismo ensina o perdão, a misericórdia, a compaixão, o entendimento entre diferentes.
A vingança, para a fé cristã, é um desvio — um ato movido pela ira, pelo orgulho, pela incapacidade de compreender que cada ser humano merece respeito e dignidade, independentemente de opinião política.

Ser cristão, como ele mesmo gosta de destacar em sua trajetória, significa viver o maior mandamento deixado por Cristo: amar o próximo.
E amar o próximo inclui amar inclusive aqueles com quem você discorda.

Por isso, causa ainda mais preocupação ver um prefeito formado nessa base orientar retaliação, incentivar perseguição silenciosa e alimentar a divisão dentro de empresas e da própria sociedade cuiabana.

Não é só um erro político.
É um contrassenso moral.
É uma postura que despreza a essência da fé que ele mesmo representa em sua origem familiar.

Ass. Assembleiano anônimo