O deputado estadual Faissal Calil parece viver uma eterna crise de identidade política. Até outro dia, carregava a aura de “viúva de Aécio Neves” de 2014; agora, tenta a todo custo se fantasiar de bolsonarista raiz. O problema é que a metamorfose não convence ninguém. No palco, ele repete os mantras de “Deus, pátria, família, liberdade e Bolsonaro” , mas o tom é mais de um ator amador do que de um militante convicto.
A cereja do bolo foi o constrangimento final: ao tentar imitar Bolsonaro com o famoso grito de “iuuuuu”, Faissal entregou não carisma, mas desespero — soando mais como súplica por aceitação do público bolsonarista do que como fidelidade ideológica. É o bolsonarismo gourmet em sua essência: sem gosto, sem tempero e indigesto até para a plateia que deveria aplaudir.
No fim, fica a sensação de que Faissal implora por um selo de autenticidade que jamais virá. Afinal, raiz não se compra em supermercado político — e o público bolsonarista, acostumado a temperos fortes, dificilmente se satisfará com esse prato requentado.