“Eu saí da favela, mas ela não saiu de mim”: Benedita da Silva denuncia massacre da polícia no Rio e emociona o país.

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“Eu saí da favela, mas ela não saiu de mim”: Benedita da Silva denuncia massacre da polícia no Rio e emociona o país.

A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) emocionou o plenário e o país ao denunciar a carnificina promovida pela polícia do Rio de Janeiro sob o comando do governador Cláudio Castro. Visivelmente abalada, ela lembrou sua origem na favela e a dor de quem conhece de perto a realidade dos moradores pobres, que vivem sob o terror constante de operações policiais irresponsáveis. “Não pode ser natural você ir para um território onde tem milhares de pessoas e querer fazer uma operação a céu aberto, colocando as famílias em pânico, colocando as crianças fora da escola. Qual é o resultado dessa megaoperação? É de doer”, disse, em voz firme e emocionada, destacando que mais de 60 pessoas foram mortas — entre civis, policiais e agentes públicos que também são vítimas de um Estado que escolhe a violência como política. 

Benedita rejeitou com indignação a narrativa bolsonarista que acusa a esquerda de “defender bandidos”, e lembrou que quem morre nas favelas são trabalhadores, mães, pais e jovens negros e pobres. “Nós protegemos as famílias decentes, que vão limpar a casa dos senhores, que cuidam dos seus filhos… Elas moram lá porque não podem morar no palácio onde nós moramos”, declarou. A parlamentar acusou o governo estadual de perversidade e incapacidade de governar, afirmando que “se tem uma pessoa que não é inocente no Rio de Janeiro, é o governador do estado”. Aos 83 anos, ela disse continuar carregando a dor da favela: “Eu saí da favela, mas ela não saiu de mim”. Seu discurso ecoou como um grito de justiça, pela memória dos mortos e em defesa dos vivos que seguem sendo tratados como inimigos pelo próprio Estado.