Empresa da família do deputado Nininho integra consórcio da Zopone no Lote 2 das concessões estaduais; grupo Zopone é sócio do filho do governador em empresa de energia no Acre

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Empresa da família do deputado Nininho integra consórcio da Zopone no Lote 2 das concessões estaduais; grupo Zopone é sócio do filho do governador em empresa de energia no Acre

Um consórcio formado pela Constral Construtora Ltda e o grupo Zopone participou do leilão do Lote 2 das concessões de rodovias estaduais em Mato Grosso e está na iminência de ser declarado vencedor, após a desclassificação da empresa que havia apresentado a melhor proposta. O lote prevê a concessão de mais de 400 km de estradas por 30 anos, com direito à cobrança de pedágio. A Constral, conforme registros oficiais da Receita Federal, pertence indiretamente aos filhos do deputado estadual Ondanir Bortolini, o Nininho (PSD), por meio da holding CT Participações Ltda, e tem como administrador um engenheiro egresso da Tripolo Engenharia — empresa símbolo do grupo empresarial da família. A Tripolo, por sua vez, foi protagonista em contratos vultosos com o poder público e já foi investigada por suspeitas de fraude em licitações.

Paralelamente, chama atenção o fato de que o grupo Zopone, parceiro da Constral no consórcio, mantém sociedade empresarial com Luis Antônio Taveira Mendes, filho do governador Mauro Mendes (União Brasil), em uma concessionária de energia no Acre. Trata-se da empresa Transmissora Acre S.A., criada para operar linhas de transmissão elétrica na região norte do país. A relação entre Zopone e a família do governador já havia sido objeto de reportagens anteriores, especialmente após a expansão dos contratos da Zopone em Mato Grosso. Agora, a proximidade do consórcio Zopone/Constral de uma vitória em uma das licitações mais relevantes do setor rodoviário estadual resgata a pertinência do debate sobre vínculos políticos e empresariais na destinação de obras públicas.

Importa sublinhar que o deputado Nininho, cuja trajetória política remonta ao cargo de prefeito de Itiquira, enfrentou diversas ações judiciais por improbidade e crime de responsabilidade, com condenações na primeira instância que foram objeto de recursos. Em 2024, optou por firmar um acordo judicial com o Ministério Público, encerrando oito ações mediante pagamento de R$ 1,2 milhão em ressarcimentos e multas. O presente blog não faz qualquer juízo de valor ou antecipação de culpa. Limitamo-nos, com responsabilidade e respeito à presunção de inocência, a informar fatos de interesse público e de repercussão institucional, de modo a contribuir para a transparência da gestão e o fortalecimento da cidadania.