A rejeição da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 expôs não apenas a fragilidade da base do prefeito Abilio Brunini (PL), mas também sua resistência em reconhecer os problemas apontados no projeto enviado à Câmara de Cuiabá.
A proposta, que previa receita de R$ 5,07 bilhões, precisava de 14 votos, mas recebeu apenas 12 favoráveis, além de oito contrários e sete abstenções. Na avaliação dos vereadores, o texto era genérico, mal elaborado e não contemplava necessidades importantes da cidade. Também houve críticas à falta de diálogo prévio e à resistência do Executivo em discutir emendas.
Mesmo diante da derrota, Abilio não demonstrou disposição para rever a postura. Em vez de admitir a necessidade de melhorar a proposta e ampliar as negociações, atribuiu o resultado a uma suposta retaliação pela disputa da Mesa Diretora.
“Meu dever não é aprovar, meu dever é enviar. Então enviei. Não aprovou, vida que segue”, declarou.
A fala mostra que o prefeito tenta se afastar da responsabilidade política pela aprovação de uma das principais peças de planejamento do município. Embora seja atribuição do Executivo encaminhar o projeto, governar também exige diálogo, construção de maioria e capacidade de ouvir o Legislativo.
Abilio ainda afirmou que não será pessoalmente prejudicado e transferiu os efeitos da rejeição para a população. No entanto, a derrota atinge diretamente sua governabilidade, compromete o planejamento do orçamento de 2027 e demonstra que o prefeito já não possui o controle da Câmara que acreditava ter.
A crise também é consequência da tentativa de interferência do Executivo na eleição da Mesa Diretora. O voto contrário de Dilemário Alencar, antigo líder do governo e tratado como alternativa de Abilio para comandar o Legislativo, deixou ainda mais evidente a fragilidade das alianças construídas pelo prefeito.
A LDO não é uma simples formalidade que pode ser enviada sem discussão. Se o texto não convenceu a maioria dos vereadores, Abilio precisa baixar o tom, reconhecer as falhas, dialogar e apresentar uma proposta que atenda às reais necessidades de Cuiabá, em vez de responsabilizar apenas a Câmara pela derrota.