O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), rebateu o senador e pré-candidato ao Governo Wellington Fagundes (PL) e afirmou que o parlamentar interpretou de maneira equivocada suas críticas à realização de operações policiais durante o período eleitoral. Segundo Abilio, crimes devem ser investigados a qualquer momento, mas existe diferença entre apuração e uso político de uma ação pública para interferir na disputa.
“Eu acho que ele está errado na opinião, porque pode sim, pode e deve. Se tiver qualquer situação de desvio de dinheiro público durante esse período, qualquer período que seja, a operação deve ser feita em tempo e fora de tempo”, declarou Abilio.
A manifestação ocorreu após Wellington criticar declarações de Abilio, do ex-governador Mauro Mendes e do deputado federal José Medeiros (PL) sobre o momento escolhido para a deflagração de operações. O senador questionou se alguém que cometesse um crime durante uma campanha eleitoral deveria ficar livre de investigação.
“Não venham dizer que isso é denúncia apenas eleitoreira. [...] Não pode vir alguém amanhã dizer que é inoportuna uma investigação em período eleitoral. Isso é um absurdo”, afirmou Wellington.
Ao responder, Abilio disse que não defende qualquer tipo de proteção para pessoas suspeitas de desviar recursos públicos. Contudo, sustentou que investigações envolvendo fatos antigos podem ser utilizadas para provocar desgaste político durante uma eleição.
“Agora, imagina alguém querer investigar um fato do passado, que já não está mais acontecendo, ou não estaria acontecendo, dentro desse período, apenas para tumultuar o processo eleitoral. Acho que esse é o X da questão. Eu acho que é um equívoco de interpretação”, disse.
O prefeito também afirmou que até Mauro Mendes teria interesse em uma investigação rápida para esclarecer os fatos. Para Abilio, porém, é necessário separar o trabalho legítimo das autoridades da eventual exploração política das operações.
“Investiga todo mundo. Até o Mauro acho que é a favor que seja investigado o mais rápido possível. Agora, há uma diferença entre a investigação e a instrumentalização de um ato político. Existe uma grande diferença disso”, declarou.
Abilio ainda citou investigações que atingiram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para argumentar que ações de órgãos públicos podem ganhar caráter eleitoral. Segundo ele, determinadas apurações acabam produzindo repercussão durante a campanha, mesmo quando não resultam posteriormente em condenação.
“O que não pode é transformar ações do poder público em instrumento de perturbação da ordem eleitoral. Mas, se estiver errado e acontecendo agora, deve? Claro que deve. Está errado? Investiga. Tem alguma coisa errada? Investiga”, reforçou.
A discussão ocorre na esteira da Operação Heritage, da Polícia Federal, que apura possíveis irregularidades em um acordo de aproximadamente R$ 308 milhões envolvendo o Governo de Mato Grosso e a Oi. A investigação continua em andamento e ainda não representa condenação dos envolvidos.