Convênios do governo de MT saltam 892% em ano eleitoral e acendem alerta sobre uso da máquina

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Convênios do governo de MT saltam 892% em ano eleitoral e acendem alerta sobre uso da máquina

Um levantamento das transferências voluntárias do governo de Mato Grosso aos municípios revelou um crescimento atípico na liberação de convênios em pleno ano eleitoral. No período de janeiro a agosto, o montante assinado com as prefeituras saltou de R$ 134,8 milhões em 2025 para R$ 1,338 bilhão em 2026 — um aumento de 892%, quase dez vezes mais.

O dado mais expressivo está concentrado em julho de 2026, quando foram assinados R$ 581,3 milhões em convênios, montante mais de quatro vezes superior ao total liberado de janeiro a agosto do ano anterior.

A análise trimestral reforça a anomalia. No primeiro trimestre, a variação foi de +2.958,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025; no segundo, +1.017,6%; no terceiro, +668,5%. Em todas as frentes, a liberação de recursos foi multiplicada em proporções que não encontram justificativa técnica.

Um padrão que se repete

O histórico de 2018 a 2026 revela que o fenômeno não é pontual. Os picos de liberação de convênios coincidem sistematicamente com os anos de disputa de poder. Em 2022, ano da reeleição do governador Mauro Mendes, os convênios atingiram o recorde histórico de R$ 1.671,0 milhão, o dobro do registrado no ano anterior. Em 2026, ano da sucessão estadual, com candidatura do Vice-governador Pivetta, apoiado pelo Mauro Mendes, o orçamento já caminha no mesmo ritmo acelerado — quase o dobro do valor integral de 2025 em apenas oito meses.

Nos anos pós-eleitorais, o ritmo desacelera. Em 2019, as liberações de convênio estavam em R$ 81,2 milhões. Em 2023, caíram de R$ 1.671,0 para R$ 836,6 milhões, bem abaixo do pico do ano anterior.

O que isso significa

Especialistas apontam que a concentração de liberações em anos eleitorais compromete a isonomia do pleito, desvirtua a finalidade do orçamento público e pode funcionar como instrumento de aliciamento político o que poderia explicar o apoio massivo de prefeitos divulgado recentemente.

Além disso, a explosão de convênios em ano eleitoral, concentrada em julho, com picos casados com o calendário eleitoral, pode se enquadrar nos elementos do abuso de poder econômico, podendo resultar na inelegibilidade do candidato.

A crítica ganha ainda mais peso diante do fato de o atual governador ter ocupado o cargo de vice-governador por 7 anos e meio, usando a estrutura do Estado — inclusive os convênios — como ferramenta de articulação com as municipalidades.

Os dados, computados até 20 de agosto de 2026, indicam que o montante tende a crescer ainda mais até o fechamento do exercício, o que pode superar o recorde histórico registrado em 2022.