No mesmo dia em que a CPI da CS Mobi encerrou os trabalhos, vereadores ligados à base do prefeito Abilio Brunini (PL) apresentaram pedido para investigar um contrato de 2022, da gestão Emanuel Pinheiro. A CPI do Próton vai investigar um contrato na Saúde, firmado 2 anos antes de Abilio assumir a Prefeitura.
A sequência levanta suspeita de blindagem: Cuiabá já tem quatro CPIs em andamento — sobre o Cuiabanco, empenhos, TACs e livros didáticos. O Regimento impede a criação de outra quando cinco estão funcionando. Se a comissão do Próton for instalada, ocupará a vaga aberta com o fim da CPI da CS Mobi e poderá bloquear novas investigações enquanto uma das atuais não terminar.
A crítica ganha força porque a CPI dos livros, baseada em denúncia feita pelo próprio Abilio sobre compras da atual gestão, teve seus integrantes escolhidos entre os signatários do pedido, após meses de impasse. Em fevereiro, o limite de cinco comissões também foi apontado como obstáculo a uma CPI sobre denúncias envolvendo um ex-secretário do prefeito.
A intenção de blindar Abilio não está comprovada pelos documentos. Mas o efeito regimental é concreto: enquanto CPIs sobre fatos da gestão passada ocupam as vagas, fica menor o espaço para abrir novas investigações sobre a atual administração.