O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), questionou o trabalho do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), chamou petistas de pessoas que “não trabalham” e perguntou quantos pacientes o médico teria atendido. Lúdio, porém, é servidor efetivo da Prefeitura, aprovado em concurso público, e iniciou a carreira na saúde municipal em 1996. Atualmente, exerce mandato de deputado estadual.
“Quantos pacientes ele atendeu esse ano? Quantos pacientes o doutor Lúdio atendeu ano passado? […] Mostra carteira de trabalho para ele”, disse Abilio. O prefeito também se referiu ao deputado como “aposentado na Assembleia Legislativa”, embora Lúdio esteja no exercício do mandato parlamentar.
A cobrança sobre carteira de trabalho também chama atenção diante da trajetória profissional do próprio prefeito. Abilio é formado em Arquitetura e Urbanismo e já afirmou que trabalhou por 12 anos como designer gráfico e editor de vídeo antes de se formar arquiteto. A biografia da Câmara dos Deputados registra as profissões de arquiteto e designer, mas não informa empresas ou empregadores.
A declaração de Abilio foi dada na sexta-feira (23), enquanto o MPT apurava denúncias de possível assédio eleitoral na estrutura municipal. No domingo (25), o Tribunal Regional do Trabalho concedeu liminar, a pedido do órgão, que obriga a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) a impedir ameaças, perseguições e retaliações contra trabalhadores por suas opiniões políticas. A multa prevista é de R$ 30 mil por infração, mais R$ 5 mil por trabalhador prejudicado.
Abilio negou ter demitido alguém por participação em manifestação política. Também afirmou que, se a trabalhadora envolvida no caso ocupasse cargo comissionado, teria o direito de exonerá-la por perda de confiança. A motivação do desligamento, contudo, segue sob apuração.