Na mais recente inauguração de uma escola cívico-militar em Cuiabá, o governador Mauro Mendes voltou a protagonizar aquilo que já se tornou rotina em suas aparições públicas: uma “coletiva de imprensa” marcada por tensão, despreparo e autoritarismo. Longe de promover transparência, as entrevistas do governador têm se convertido em arenas de constrangimento, nas quais perguntas legítimas sobre a gestão são recebidas com irritação, respostas evasivas ou, pior, devolutivas agressivas — como se o papel do jornalista fosse o de ser interrogado. Mauro Mendes evita os temas incômodos, repete chavões e parece incapaz de dialogar com maturidade democrática sobre os muitos problemas varridos para debaixo do tapete de seu governo.
Se a ideia é manter o controle absoluto do roteiro, talvez fosse mais honesto abandonar o formato de coletiva e adotar o estilo do Instagram da primeira-dama Virgínia Mendes, onde só há monólogo, adulação e nenhuma pergunta incômoda. A encenação de um governo em ordem desmorona diante da incapacidade do governador de lidar com o contraditório. E como já cantava Cazuza, “eu vejo um museu de grandes novidades”: Mauro Mendes encarna o velho modelo político que tenta calar, ao invés de responder. Mas os tapetes têm limites — e as verdades abafadas já começam a escapar pelas bordas.