A manifestação bolsonarista deste domingo (3), que reuniu apoiadores do ex-presidente em defesa da anistia e contra o ministro Alexandre de Moraes, deixou evidente uma fratura exposta no campo da direita em Mato Grosso. Enquanto o senador Wellington Fagundes (PL) marcou presença e se consolidou como o elo institucional do bolsonarismo raiz no estado, outras figuras de peso da direita tradicional, como o governador Mauro Mendes, o vice Otaviano Pivetta e os líderes do União Brasil — Jayme Campos, Júlio Campos e Eduardo Botelho — optaram pelo silêncio e pela ausência. O gesto, ou a falta dele, foi interpretado por analistas como um marco simbólico da disputa já em curso pela hegemonia conservadora nas eleições de 2026.
Com isso, a direita mato-grossense se delineia em pelo menos três polos distintos: Wellington Fagundes surge fortalecido como nome orgânico do bolsonarismo; Pivetta, discreto e alinhado ao agronegócio institucional, articula nos bastidores uma candidatura tecnocrática; e o produtor rural Antônio Galvan, presidente da Aprosoja e figura emblemática da direita radical, movimenta-se para lançar um nome “autêntico” da classe produtora. A ausência coordenada de Mauro e seus aliados revela, mais do que cálculo político, um afastamento estratégico do bolsonarismo ruidoso — e talvez o prenúncio de uma eleição onde o campo conservador chegará dividido, com palanques concorrentes e projetos inconciliáveis.