Após pressão de empresários contra cobrança considerada abusiva, Abílio adia taxa de lixo para grandes geradores

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Após pressão de empresários contra cobrança considerada abusiva, Abílio adia taxa de lixo para grandes geradores

O prefeito Abilio Brunini (PL) recuou e decidiu adiar a cobrança da taxa de lixo para supermercados, shoppings, hospitais, hotéis, restaurantes, indústrias e demais estabelecimentos classificados como grandes geradores de resíduos. A medida foi oficializada no Decreto nº 11.452/2025, publicado na Gazeta Municipal da última sexta-feira (7).

A decisão ocorre após forte reação do setor produtivo, que denunciou valores considerados altos, falta de diálogo e lançamento automático dos débitos diretamente na conta corrente das empresas, sem aviso prévio e com vencimento imediato.

Pressão organizada

A cobrança havia sido regulamentada anteriormente pelo Decreto nº 11.372/2025, publicado em 14 de outubro, determinando que grandes estabelecimentos arcassem integralmente com o custo de coleta e destinação dos resíduos que produzem.

Diante dos valores e da forma de cobrança, entidades empresariais se mobilizaram:

Fecomércio-MT

Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (SHRBS-MT)

Sindicato de Tecidos e Confecções (Sincotec-MT)

Sindicato de Gêneros Alimentícios (Sincovaga-MT)

Representantes se reuniram com o secretário municipal de Fazenda, Marcelo Bussiki, para contestar a medida.

“O débito foi lançado sem qualquer notificação prévia. Estamos falando de estabelecimentos já pressionados por custos operacionais e que foram surpreendidos com valores significativos retirados direto da conta”, afirmou o presidente do SHRBS-MT, Luis Carlos Nigro.

Após a pressão, ficou acordado:

1ª parcela da taxa: adiada para 28 de novembro

2ª parcela: adiada para 28 de dezembro

A prorrogação não resolve o problema estrutural, apenas empurra o pagamento, mantendo a cobrança e os valores.

Valores seguem elevados

Mesmo com o adiamento, o decreto mantém a cobrança mensal entre:

R$ 600 e R$ 10 mil por empresa, dependendo do porte e tipo de resíduo.

Ou seja:
A prefeitura apenas adiou a dor, não reduziu o impacto financeiro.

Falta de transparência e critérios pouco claros

Empresas reclamam que:

Não foram notificadas previamente.

Não houve audiência pública sobre a aplicação do modelo.

O cálculo depende de informações que nem todas têm, como PGRS e licenças específicas.

Não está claro o destino final do dinheiro arrecadado com a taxa.