Wesley, morador do Loteamento Residencial Ilza Terezinha Picoli Pagot, afirma que teve a casa onde vivia destruída durante uma operação realizada pela Prefeitura de Cuiabá nesta quinta-feira (27). Sem a residência, ele relata que agora não tem onde morar.
A situação expõe um contraste politicamente desconfortável para a gestão municipal. Wesley atua como cabo eleitoral de Samantha Iris (PL), esposa do prefeito Abilio Brunini (PL). Ele ajudou a pedir votos para a atual vereadora e para o próprio Abilio, mas acabou atingido por uma ação conduzida justamente pela administração comandada pelo marido dela.
O relato do morador também entra em choque com a versão divulgada pela Prefeitura. Segundo o município, a operação demoliu cerca de oito edificações desocupadas e teria sido precedida por uma verificação da Assistência Social e da Secretaria de Ordem Pública para garantir que nenhum imóvel habitado fosse atingido.
Se Wesley realmente vivia no local, a Prefeitura precisa explicar como o levantamento prévio não identificou a presença do morador e por qual motivo ele teria sido deixado sem uma alternativa de moradia. A gestão também deve esclarecer se houve notificação antecipada e se algum atendimento emergencial foi oferecido.
O município afirma que a área apresenta alto risco hidrológico, possui nascentes, solo arenoso, histórico de alagamentos e não poderia ser regularizada. As condições ambientais podem justificar a desocupação, mas não dispensam o poder público de identificar e prestar assistência às pessoas atingidas.
Abilio anunciou que pretende intensificar o combate às novas ocupações em Cuiabá. O caso de Wesley, porém, mostra que, antes de ampliar as demolições, a Prefeitura precisa assegurar que a política de fiscalização não deixe moradores ao relento. Samantha Iris também deve explicações ao homem que trabalhou por sua eleição e que agora afirma não ter sequer um teto para morar.