O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), parece ter trocado a cadeira de gestor municipal pelo papel de comentarista de assuntos nacionais, transformando cada entrevista em uma oportunidade para opinar sobre praticamente tudo, menos sobre os problemas da capital mato-grossense. Considerado por seus críticos uma espécie de “bobo da corte” da política, Abílio insiste em protagonizar polêmicas e abordar temas que pouco têm a ver com suas responsabilidades administrativas. Aos quarenta e poucos anos, com uma trajetória marcada muito mais pela atuação política e pelas redes sociais do que pela experiência como gestor, o prefeito parece acreditar que sua opinião sobre qualquer assunto é indispensável ao debate público. O problema é que Cuiabá não o elegeu para ser comentarista político, muito menos para disputar espaço com influenciadores digitais. A população votou em um prefeito para administrar a cidade, resolver problemas e apresentar resultados concretos.
Com o mandato se aproximando da metade, a pergunta que começa a incomodar é simples: quando Abílio Brunini vai deixar de comentar os problemas do Brasil e começar a responder pelos problemas de Cuiabá? Enquanto o prefeito ocupa os holofotes com declarações sobre temas nacionais, sua administração enfrenta cobranças por resultados em áreas essenciais, como saúde, infraestrutura e serviços públicos. A estratégia de deslocar o debate para Brasília pode até render visualizações e engajamento nas redes sociais, mas não substitui obras, melhorias nos serviços e eficiência administrativa. A impressão transmitida é a de um prefeito que prefere transformar a política em espetáculo a enfrentar o desgaste de prestar contas sobre sua própria gestão. Abílio corre o risco de chegar à metade do mandato conhecido mais pelas polêmicas que protagonizou do que pelas realizações que entregou à população. Cuiabá precisa de um administrador, não de um comentarista de plantão.