O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), se antecipou à possibilidade de uma eventual operação policial na Prefeitura e afirmou que, em período eleitoral, “tudo é possível”. Ele também declarou que não seria necessário realizar uma ação para apreender documentos ou equipamentos, já que entregaria voluntariamente qualquer material solicitado pelas autoridades.
“Pode acontecer de uma operação na Prefeitura de Cuiabá simplesmente por causa do processo eleitoral? Pode. Pode acontecer de ir lá e gravar um vídeo, foi na Secretaria de Educação, foi nisso aqui? Pode”, afirmou.
Abilio relacionou uma eventual operação às denúncias feitas pela própria gestão envolvendo a Secretaria Municipal de Educação. Segundo ele, foi a Prefeitura quem levou suspeitas ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público.
A Educação, no entanto, já foi alvo de uma forte disputa de versões. Durante a gestão do ex-secretário Amauri Monge, Abilio levantou suspeitas sobre aquisições de livros e materiais didáticos, envolvendo valores que chegaram a ser apontados em cerca de R$ 80 milhões. Amauri negou irregularidades e, posteriormente, virou o jogo contra o prefeito.
Em 28 de maio, durante participação na Câmara de Cuiabá, o ex-secretário acusou a gestão de Abilio de uma suposta “pedalada fiscal” superior a R$ 100 milhões na Educação em 2025. Segundo Amauri, embora os 25% constitucionais destinados à área tenham sido contabilizados, parte dos recursos não teria chegado efetivamente à pasta e teria sido usada para outras despesas.
Ao falar sobre uma possível ação policial, Abilio afirmou que uma operação poderia se transformar em “espetáculo” caso fosse realizada para buscar informações que, segundo ele, já estão à disposição dos investigadores.
“Porque se precisar buscar um computador, aqui ó, o computador tá pronto”, declarou.
A fala soa como uma tentativa de se antecipar politicamente a uma eventual operação e estabelecer previamente a versão de que uma ação desse tipo poderia ter caráter midiático. A disponibilização voluntária de documentos, porém, não substitui nem impede o cumprimento de medidas judiciais de busca e apreensão, caso sejam autorizadas pela Justiça durante uma investigação.
“Tudo tranquilo, não tem problema”, completou Abilio, ao afirmar que também não teria objeção caso uma eventual medida alcançasse sua residência.