A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de determinar o processamento de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin, por suposto abuso de poder político nas eleições de 2026, coloca novamente em evidência o rigor da Justiça Eleitoral na apuração de possíveis irregularidades. Embora os casos não tenham qualquer ligação entre si, a decisão pode ser interpretada como uma sinalização de que acusações dessa natureza serão submetidas ao devido exame judicial, sem tolerância a abusos comprovados. Em Mato Grosso, o ex-governador Mauro Mendes enfrenta uma AIJE apresentada pelo ex-governador Pedro Taques, que aponta supostos abusos de poder econômico e político durante o show “Histórias”, realizado na Arena Pantanal, em Cuiabá, no dia 26 de setembro. A acusação envolve manifestações eleitorais atribuídas ao locutor Cuiabano Lima, em um espetáculo realizado em espaço público e promovido por empresa ligada a Elson Ramos, segundo suplente de Mauro Mendes. Outro elemento destacado na investigação é a informação de que representantes da organização teriam sido previamente advertidos por autoridades sobre a proibição de propaganda eleitoral durante o evento.
A decisão do TSE no caso de Lula e Alckmin não estabelece automaticamente um precedente obrigatório para o processo de Mauro Mendes, mas os entendimentos jurídicos da Corte Superior podem orientar e ser aplicados pelos Tribunais Regionais Eleitorais, respeitadas as particularidades de cada investigação. No caso mato-grossense, a acusação sustenta que houve promoção eleitoral em um evento de grande porte, circunstância que deverá ser examinada pelo TRE-MT juntamente com as provas e as manifestações das defesas. Mauro Mendes poderá, portanto, enfrentar uma etapa processual semelhante à de Lula e Alckmin, com o prosseguimento da investigação sobre suposto abuso de poder eleitoral, caso o Tribunal reconheça os requisitos legais para tanto. A situação exige atenção porque, se as acusações forem comprovadas e a gravidade das condutas reconhecida judicialmente, a legislação prevê consequências que podem incluir cassação e inelegibilidade. O recebimento da ação contra Lula e Alckmin, entretanto, não representa condenação nem permite antecipar o desfecho da investigação envolvendo Mauro Mendes.