Três dias de horror em Mato Grosso: corpo no porta-malas, cadáver amarrado na mata e execução em “abatedouro” revelam que o crime venceu o Estado

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Três dias de horror em Mato Grosso: corpo no porta-malas, cadáver amarrado na mata e execução em “abatedouro” revelam que o crime venceu o Estado

A violência em Mato Grosso atingiu um nível insustentável e expõe, de forma brutal, que o Estado perdeu completamente o controle sobre a segurança pública. Nos últimos três dias, a realidade sangrenta escancarou o avanço impune do crime organizado: um corpo foi encontrado dentro do porta-malas de um carro jogado num rio, outro em estado avançado de decomposição com mãos e pés amarrados no meio do mato, e um terceiro homem foi executado com cerca de vinte tiros em uma área conhecida como “abatedouro”, em Cuiabá. A sucessão de crimes bárbaros revela um cenário de caos absoluto, onde o medo impera e a vida perdeu valor.

É impossível tratar esses episódios como casos isolados. Eles formam um mosaico macabro que denuncia a falência de um sistema que deveria proteger a população. A atuação do governador Mauro Mendes e do secretário de Segurança Pública, Tenente Roveri, tem sido marcada por discursos vazios, estatísticas manipuladas e ausência de estratégia eficaz. Enquanto eles insistem em pintar uma realidade paralela de progresso e controle, a população enfrenta o cotidiano de execuções, tortura e desaparecimentos com uma frequência estarrecedora.

A região metropolitana de Cuiabá, tomada por facções criminosas e marcada por áreas que se tornaram verdadeiros cemitérios clandestinos, virou o retrato mais fiel do abandono estatal. Em bairros como o Pedra 90, onde mais uma execução ocorreu com requintes de crueldade, a população vive refém da violência. Em Nova Mutum, o “Lixão” virou rota de descarte de corpos. E em Planalto da Serra, o Rio Bananal se tornou cova para esconder cadáveres. O que mais precisa acontecer para que o governo reconheça que perdeu a guerra?

É urgente cobrar responsabilidade. Não se pode aceitar que o governo estadual siga tratando a escalada da criminalidade como um mero problema de segurança. O que ocorre em Mato Grosso é uma crise humanitária. Cada corpo encontrado é a prova concreta da falência de um Estado que desistiu de proteger seus cidadãos. Diante desse horror, o silêncio e a inação do governo se tornam cúmplices. O povo de Mato Grosso não pode mais viver sob o julgo do medo. A omissão virou política pública.