A vereadora Samantha Iris (PL)há alguns tempos afirmou que Mato Grosso consegue “praticamente se bancar” e não depende de recursos do Governo Federal. Mas o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), aponta a queda nos repasses federais como motivo para rever despesas e fazer ajustes na folha de pagamento da Prefeitura.
Em maio de 2025, Samantha disse que Mato Grosso é um Estado rico e “meio avulso do cenário nacional”. Questionada sobre a falta de obras federais, afirmou: “Qual a obra do Governo Federal que faltou aqui? As coisas que poderiam ter sido feitas, foram feitas pelo nosso próprio povo”.
Agora, Abilio afirma que Cuiabá teve frustração de R$ 100 milhões em repasses federais. Segundo o prefeito, a receita própria do município cresceu R$ 167 milhões, mas a redução das transferências comprometeu parte desse avanço. Ele disse que a Prefeitura estuda conter despesas, inclusive com mudanças na folha, para evitar o endividamento.
As falas expõem uma contradição entre o discurso de que Mato Grosso pode se bancar sem ajuda federal e a cobrança de Abilio por recursos da União para fechar as contas da Capital. Samantha falava do Estado e Abilio, das finanças de Cuiabá; ainda assim, a declaração da vereadora ganha novo peso diante da queixa do prefeito, seu marido e aliado político.
O contraste também chama atenção porque Abilio já direcionou críticas à esquerda e a contribuintes que, segundo ele, deveriam deixar a cidade. Agora, ao justificar possíveis cortes na Prefeitura, o prefeito atribui parte da pressão financeira justamente à falta de repasses federais.