RECADO PRA JANAINA ? “Não sou sem-vergonha”, diz Mauro ao rejeitar aliança com quem já atacou sua família

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RECADO PRA JANAINA ? “Não sou sem-vergonha”, diz Mauro ao rejeitar aliança com quem já atacou sua família

O ex-governador e pré-candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil) afirmou que “não é sem-vergonha” para esquecer ataques pessoais e depois dividir o mesmo palanque com adversários que já ofenderam ele ou sua família. A declaração foi dada nesta terça-feira (28), ao comentar as articulações políticas envolvendo o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e a deputada estadual Janaina Riva (MDB).

Apesar de evitar mencionar diretamente a parlamentar como alvo da declaração, Mauro deixou claro que não aceita a prática de trocar ataques públicos por alianças construídas por conveniência eleitoral.

“Eu não sou sem-vergonha igual tem alguns políticos por aí. Tem gente que fala bobagem, besteira, joga palavras ao vento e depois está lá tomando cerveja junto e rindo. Eu não fico por aí ofendendo ninguém. Se vem para cima de mim, eu reajo”, afirmou em entrevista à Rádio Jovem Pan.

A fala ocorre em meio às negociações para que Janaina desista da disputa ao Senado e aceite ser candidata a vice-governadora na chapa de Pivetta. A deputada fez oposição à gestão de Mauro e protagonizou embates com integrantes do governo, sobretudo após a Operação Suserano, deflagrada em setembro de 2024 para investigar suspeitas envolvendo emendas parlamentares na Secretaria de Estado de Agricultura Familiar.

Questionado sobre uma possível composição entre Pivetta e Janaina, Mauro declarou que não participa das conversas e transferiu ao governador a responsabilidade pela escolha.

“Essa história da Janaina ser vice ou não, eu não sei. Não estou participando das conversas. Isso não é da minha alçada. O que eu tinha que falar para o Pivetta, eu já disse publicamente e repito: a decisão é dele”, declarou.

Embora tenha evitado vetar publicamente o nome da deputada, a afirmação de que “não é sem-vergonha” foi interpretada como um recado aos aliados que defendem a aproximação com antigos adversários. Mauro ressaltou que políticos não deveriam trocar ofensas e, pouco tempo depois, agir como se nada tivesse acontecido.

O ex-governador também indicou sua preferência para a vaga de vice ao defender o nome do deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), que foi secretário-chefe da Casa Civil durante sua administração e é um dos seus aliados mais próximos.

Segundo Mauro, Pivetta tem o direito de ouvir partidos e integrantes do grupo antes de definir a composição da chapa. Ele observou, porém, que sua administração possuía menos rumores porque mantinha um estilo centralizador.

“Tem muita gente próxima dele para dar opinião. Política não é atividade individual. Tem que ouvir as pessoas, partidos, representantes e parceiros. Acredito que ele está fazendo isso. Eu também fazia isso muito bem, só que não falava. Tinha pouco ruído no meu governo, pouca fofoca, porque eu tinha um estilo controlador e sério”, disse.

Mauro ainda negou qualquer negociação para formar uma “dobradinha branca” ao Senado com o deputado federal José Medeiros (PL). Com duas vagas em disputa, ambos poderão concorrer ao cargo, mas o ex-governador descartou a existência de um acordo informal.

“Não existe nada disso, nenhuma conversa nesse sentido”, assegurou.

Ao insistir que “não é sem-vergonha”, Mauro sinalizou que pode até respeitar a autonomia de Pivetta para escolher sua vice, mas não pretende apagar os ataques sofridos para acomodar uma aliança eleitoral. O recado amplia a pressão sobre o governador justamente no momento em que Janaina confirma disposição para discutir sua entrada na chapa.