A primeira-dama de Mato Grosso, Virgínia Mendes, defendeu que mais mulheres ocupem a política — desde que tenham “passado limpo, sem manchas”. A fala, dita com ar de conselheira ética, ganhou contornos irônicos diante do cenário que a envolve: o próprio governo de seu marido, Mauro Mendes, já foi alvo de uma série de operações policiais, que ultrapassam duas dezenas, mirando contratos, secretarias e práticas administrativas do Estado. É como defender dieta rígida durante um jantar na churrascaria — bonito no discurso, difícil na prática.
Ao reforçar que a política precisa de trajetórias “sérias e limpas”, Virgínia lamentou que algumas figuras públicas “têm um passado um pouco pesado”. O comentário ecoou com perfeição no cenário mato-grossense, onde a moralidade costuma aparecer mais em discursos do que nas páginas dos Diários Oficiais. Se integridade fosse critério absoluto para o jogo político, talvez não estivéssemos assistindo a tantas operações estourando enquanto discursos sobre “pureza ética” soam ao fundo. No Brasil, às vezes a virtude veste roupa de gala — mas a realidade insiste em aparecer de tornozeleira.