O governo de Otaviano Pivetta (Republicanos) tentou abrir caminho para a instalação de pedágios justamente em uma região formada por pequenos agricultores, comunidades rurais e municípios que ainda lutam para ampliar o próprio desenvolvimento econômico.
A proposta incluía 124,83 quilômetros das rodovias MT-060 e MT-451, entre Nossa Senhora do Livramento e Poconé, no programa estadual de concessões. Com a entrega dos trechos à iniciativa privada, moradores passariam a correr o risco de pagar para circular entre suas próprias cidades, escoar a produção e acessar serviços básicos.
O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), classificou a medida como sem lógica e alertou que a cobrança atingiria diretamente agricultores familiares e o turismo no Pantanal.
“De Livramento a Poconé é uma região de pequenos agricultores, região de Pantanal, do turismo. Não tem lógica esse pedágio, não irá agregar para o Estado, só irá prejudicar a população e criar um transtorno muito grande”, afirmou.
Em vez de garantir estradas adequadas como obrigação do poder público, o governo pretendia transferir a administração das rodovias e deixar a conta nas mãos de quem depende delas diariamente. Na prática, o produtor rural pagaria para transportar mercadorias, o trabalhador para se deslocar e o turista para chegar ao Pantanal.
A cobrança também atingiria moradores das comunidades de Cangas, Chumbo, Campina de Pedra e Figueira. Para essas famílias, o pedágio não seria apenas mais uma tarifa, mas um novo peso no orçamento e um obstáculo para o desenvolvimento da região.
Max afirmou que a Assembleia não pode aceitar que a população seja penalizada. “Nós precisamos fazer asfalto para atender uma região que precisa ser desenvolvida. Região de pequenos produtores que não têm condições de arcar com o custo de pedágio”, declarou.
O governo só recuou depois da reação dos deputados e da pressão popular. A audiência pública virtual marcada para o dia 21 de julho foi cancelada, e a proposta deverá ser suspensa ao menos temporariamente.
O episódio revela uma tentativa de impor uma cobrança pesada sobre quem menos pode pagar. Enquanto o Estado anuncia concessões como solução, moradores e produtores enxergam o risco de transformar o direito de ir e vir em mais uma fonte de lucro para empresas privadas.