A exclusão deliberada do título de “Coronel” do nome da vice-prefeita Vânia Rosa na página institucional da Prefeitura de Cuiabá escancara o desprezo com que ela vem sendo tratada desde a posse do prefeito Abílio e de sua esposa, a primeira-dama Samantha do Abílio. Sim, é assim que ela fez a campanha de 2024 oficialmente: “Samantha do Abílio”, antes mesmo do próprio segundo nome “Íris”. Trata-se de uma escolha que revela muito mais do que uma preferência estética — indica uma tentativa de ancorar a identidade pública da primeira-dama exclusivamente na figura do marido, enquanto a vice-prefeita eleita é apagada até no reconhecimento de sua patente militar. Negar o título de uma coronel da Polícia Militar, mulher com trajetória pública sólida, é reescrever a história da gestão a partir do ego e da insegurança.
Vânia Rosa é, por formação e experiência, a mais preparada da cúpula do Executivo cuiabano. Com anos de serviço à segurança pública, reconhecida por seu profissionalismo e integridade, foi escanteada desde o início da gestão. E agora, ao ter seu currículo omitido da página oficial da prefeitura — enquanto o do prefeito é preenchido por historinhas irrelevantes e o da primeira-dama por conteúdo improvisado — fica ainda mais claro o projeto de invisibilização. A Secretaria de Comunicação cumpre ordens, e as ordens são claras: não destacar a vice-prefeita para não eclipsar o casal Abílio, que tenta construir uma imagem pública desproporcional à própria bagagem.
Este blog já havia apontado sinais dessa tentativa de apagamento. Mas a omissão institucional do histórico profissional da vice-prefeita confirma o que antes parecia apenas desprezo político: virou perseguição. A vaidade que move essa exclusão não apenas enfraquece a gestão, como também desrespeita a democracia e o eleitor que ajudou a eleger uma chapa, e não um casal. Cuiabá não pode ser palco de uma novela familiar, onde os méritos reais são encobertos por vaidades frágeis.




