Bater palmas para a placa foi o jeito mais sincero de dizer: "Presidente, esquece o que eu disse, manda mais recurso que eu bato até bumbo!".
Em um gesto que desafiou as leis da gravidade política e das redes sociais, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, protagonizou uma cena digna de um "rebranding" espiritual durante a entrega de 160 casas no residencial Altos do Jardim Jequitibá. O outrora ferrenho crítico do Governo Federal parece ter deixado o figurino de oposição no armário, optando por uma postura de quase veneração diante da placa de inauguração. Entre aplausos entusiasmados e uma inclinação de tronco que beirou o cerimonial real, Abílio não apenas aceitou os recursos do Minha Casa, Minha Vida, como emoldurou sua própria imagem sob a logomarca da gestão Lula, provando que o pragmatismo administrativo fala mais alto que qualquer tuíte antigo.
A cena, que rapidamente viralizou, mostra o prefeito reverenciando o metal frio da placa que ostentava o nome do presidente, num contraste absoluto com seu discurso de posse, quando jurava que Cuiabá caminharia sem as mãos (e os bilhões) de Brasília. Ao que tudo indica, a "infantilidade" de recusar verbas federais deu lugar à maturidade de quem percebeu que cimento e tijolo não escolhem ideologia. A foto do prefeito curvado, quase em posição de prece diante da obra federal, simboliza o enterro de uma rusga que nunca fez sentido para quem espera pela chave da casa própria.
O reconhecimento público do erro — ainda que feito através de gestos de contrição física e palmas rítmicas — marca um novo capítulo na política cuiabana. Abílio Brunini, ao bater palmas para o sucesso do programa de Lula e se ajoelhar simbolicamente perante a eficiência do repasse federal, demonstra que aprendeu a lição: em política, o orgulho não constrói telhados. Parabéns ao prefeito pela coragem de dar o braço a torcer e, finalmente, reconhecer que o bem-estar da população vale muito mais do que a manutenção de uma birra eleitoral.