Na campanha de 2024, Abílio Brunini pintava um futuro cor-de-rosa para a saúde de Cuiabá: Vilas da Saúde em cada bairro, Hospital da Mulher como referência nacional, UPA novinha no Coxipó, Casa do Autista, Farmácias Populares… parecia até um catálogo da Disney adaptado ao SUS. O eleitor acreditou, afinal promessa de candidato é como receituário: cheia de carimbos, assinaturas e remédios milagrosos.
Mas, agora sentado na cadeira de prefeito, Abílio transformou esse sonho em pesadelo. A saúde da capital não apenas não melhorou como piorou de forma assustadora. Policlínicas fechadas, UPAs superlotadas, médicos desmotivados e uma população que, em vez de ser atendida em centros de excelência, enfrenta filas intermináveis e hospitais colapsados. O prefeito que prometeu “revolucionar a saúde” parece ter se especializado mesmo foi em factóides e decretos autoritários.
O resultado é trágico e irônico ao mesmo tempo: em vez das “Vilas da Saúde”, a população convive com os “becos do abandono”. O Hospital da Mulher segue no mundo da fantasia, a UPA do Coxipó virou miragem e os idosos, que seriam recebidos em centros de convivência, hoje convivem apenas com o descaso. Cuiabá esperava dignidade, mas ganhou um show de promessas vazias. E a cidade, que deveria ter a saúde como prioridade, virou palco de mais um roteiro político onde quem sofre, como sempre, é o povo.


